BACALHÔA, Vinhos de Portugal…

21/11/2020

Por: LILIANA BORGES
 
BACALHÔA, Vinhos de Portugal…
 
O Grupo Bacalhôa possui vinícolas do norte ao sul do país e a Quinta da Bacalhôa está localizada na Vila Nogueira de Azeitão, a qual faz parte da Rota de Vinhos da Península de Setúbal, a cerca de 34 Km de Lisboa.
 
 Além do belíssimo Palácio com suas inúmeras obras de arte, nesta outra propriedade iremos encontrar várias relíquias na adega museu com os belíssimos azulejos expostos que nos contam um pouco de sua história ao longo do tempo e uma magnífica exposição africana, homenagem do Comendador Berardo ao Continente Africano que aos dezoito anos foi viver na África do Sul, onde permaneceu por 40 anos.
 
Esta quinta pertenceu a Família João Pires e Filhos e naquela altura seu negócio baseava na venda de uvas a granel, ou seja, não produzia vinhos. Somente na década de 60 com a chegada da Família Avillez começou a produzir as primeiras marcas de vinhos, sendo esta a modernizar a propriedade. Passou a mecanizar e, então em 1978 foi produzido o primeiro Tinto da Ânfora.
 
A caminho do museu, vamos ENTRAR na primeira obra de arte de William Furlong, ele faz sua arte interagir com as pessoas a partir dos sons. É um corredor que os visitantes passam por ele aos sons de animais de diferentes partes do mundo para acesso a adega museu e as Oliveiras, símbolo de Portugal. Estas são oriundas do Alentejo da região do Alqueva, acredita-se que são as mais antigas de Portugal por volta de 2000 anos. Alqueva era uma vila que ficou submersa com a construção de uma barragem, considerada o maior lago artificial da Europa. 
 
Adentrando na exposição africana, as primeiras esculturas que estão expostas serviam para proteger a tribo de feitiços ou lançar contra as tribos rivais. Elas eram utilizadas para julgamentos, pois acreditavam que mostravam o pior das pessoas, o que realmente eram. Colocando-as a frente poderia aparecer o diabo, se estas tivessem feito alguma coisa de errado. Eles usavam unhas, peles, sangue de quem os queriam atingir.
 
Mais adiante encontraremos a máscara de macaco, pensavam que com ela conseguiriam controlar os elementos da natureza; a típica palhota da África que tem forma circular para que os animais venenosos não pudessem se esconder; um painel de Moçambique representado a vida do cotidiano; os belos relicários que serviam para homenagear as pessoas importantes da tribo quando morriam; a representação das dificuldades de como é viver no Continente Africano e no lado oposto o símbolo da prosperidade e continuidade com as Cataratas de Vitória no Zimbabwe, entre muitos outros.
 
Ao final da exposição passaremos por uma suntuosa porta indiana para chegar nas adegas, madeira teca esculpida a mão. Chegando na primeira Adega iremos deparar logo com as barricas do Vinho Moscatel (2, 5 e 10 anos) que são produzidos de maneira diferente dos demais, pois na primeira fermentação é interrompida, tornando-se um vinho com alto teor alcoólico e bastante doce. Cabe destacar, o “Moscatel da Bacalhôa, Setúbal Superior 10 anos”, colheita de 2004 é um dos seus premiados que tem origem nas vinhas localizadas no sopé da Arrábida de excelência dos grandes vinhos de Setúbal.
 
Posteriormente, as barricas são de 1 a 22 anos; os topos de gamas: Palácio da Bacalhôa e Quinta da Bacalhôa. As barricas são de carvalho francês, dizem que fazer vinhos é como quase fazer perfumes. Tudo influencia o vinho, por exemplo se a madeira estiver mais queimada por dentro o vinho terá sabor mais caramelo ou chocolate, caso contrário terão outros mais suaves como a baunilha, talvez mais uma pitada de elegância, e sempre as habilidades do enólogo responsável por sua arte...
 
Os azulejos afixados nas paredes da adega contam por si só a trajetória da arte do XVI ao século XX: mouriscos, séc. XVI que começaram a ser manufaturados em Portugal; estilo português no séc. XVII, pintados mais azul e amarelo; era barroco no séc. XVIII; arte com mais pormenores, mais detalhados e simétricos no séc. XIX; as Alegorias de Jorge Colaço, representando a vida dos mais pobres no séc. XX e, assim uma viagem no tempo através da arte.
 
A arte é como a moda, é um ciclo sempre com inspiração em alguma época que passou, sua história ao longo do tempo… 
 
A Bacalhôa é arte, vinho, paixão… 
 
Portugal é tudo isso e muito maissss….
 
Apaixonante…