Luana Cavalcante: ´Vivemos momento de incerteza, é bom estarmos abertos ao novo`

11/01/2021

Por: CEFAS CARVALHO
Foto: Arquivo pessoal
 
Nascida em Mossoró, Luana Cavalcante é profissional do design gráfico e publicidade em agências, mas se tornou conhecida como artista visual com o projeto O Ser de Luana, de pintura corporal de mulheres visando empoderamento e autoestima com centenas de mulheres transformadas em arte e tendo realizado diversas exposições. Confira a entrevista que ela concedeu ao Potiguar Notícias:
 
 
Você conseguiu produzir arte durante o confinamento? Se sim, como foi esse processo?
 
Sim. Consegui permanecer com a produção de ensaios, em menor quantidade, tendo em vista que o grande número de agendamentos sempre são em São Paulo e Brasília, e devido a impossibilidade de viajar houve diminuição na produção. Como sou graduada em Publicidade, Artes e Design e trabalho com Direção de Arte durante muitos anos, só que desde 2016 resolvi sair de agência para trabalhar home office, nesse sentido a minha rotina não mudou tanto, tendo em vista que as viagens para produção do SER de LuAna são esporádicas ao longo do ano.
 
Também exibi nacionalmente 2 filmes produzidos em parceria com duas mulheres incríveis, Andréa e Wisla. O primeiro foi selecionado para ser exibido em uma Festival Nacional de Cinema, o microfilme foi feito por Andréa Meireles, as imagens foram feitas em 2017 quando Andréa esteve no Brasil, atualmente ela mora em Washington, D.C. nos Estados Unidos, então ela propôs a ideia de fazermos umas videochamadas com intuito de exibir pela primeira vez as imagens para mim, então seria um filme com o meu olhar de 2020 diante das imagens de 2017. O filme ficou lindo, foi feliz a seleção em que tivemos o único filme selecionado do Rio Grande do Norte para essa categoria no Festival. O segundo filme são imagens de 2020 durante o isolamento, Wisla a qual tive como parceira desse filme, ela foi a minha única visita que tive durante o período da gravação desse filme, que inclusive, o roteiro eu escrevi no inicio do dia, filmamos e Wisla dormiu editando, quer dizer, eu acordei e ela ainda estava finalizando, tudo isso porque a inscrição para essa Premiação se encerrava naquele dia, alguns meses depois: “Tcham-ram!”, fomos premiadas. Todos os filmes estão disponíveis nas redes sociais, tem tudo relacionado no meu Instagram @luanadoser.  
 
 
Como acha que serão as exposições de artes visuais no chamado pós-pandemia?
 
Na verdade o que eu espero, eu espero de verdade que as exposições de arte tragam em sua maioria elementos e significados que escrevam um pouco da história e que também tragam a partir dos olhos um alimento pra alma, com bons sentimentos de paz, amor e harmonia. (Esperançosa? Talvez vez, mas a gente tenta emanar, uma hora tudo isso volta pra gente)
 
 
Como avalia a situação dos artistas visuais durante a pandemia?
 
Acredito que chegamos em um momento que é inevitável a aceitação de que “nada é fixo nem permanente”, como diz Monja Coen. “Reinventar”, acho que essa palavra deve ser fortemente entoada como um mantra, porque estamos vivendo momentos de incerteza, é sempre bom estar aberto a se preparar para algo novo.
 
 
Sua arte funciona como empoderamento feminino e tem viés claramente feminista. Como observou durante a pandemia os altos números registrados de feminicídio e violência doméstica?
 
Eu confesso que essa foi a minha primeira preocupação, porque eu faço parte desse número, quer dizer, observando direitinho “todas ”nós, não acredito na existência do feminino sem feminismo, se eu pudesse fazer uma analogia diria que o feminismo é a capa protetora do feminino, no sentido imagético. Todas nós, sem exceção usufruímos da Luta Feminista ao longo da história. Sem exceção, todas nós. Enquanto eu escrevo essa resposta observo que na pergunta tem duas palavras sublinhadas de vermelho, como se a palavra estivesse escrita errada ou ela não existe no dicionário: “empoderamento” e “feminicídio”, acabei de escrever e ficaram também, acho que isso quer dizer alguma coisa. Por mim, por experiência própria, a mulher quando é diminuída, violada, violentada e até morta, a sociedade julga, o poder público julga, naquele momento o silêncio é mais confortante, é preciso ter muita força, muita força pra sair desse lugar, o medo predomina no ser, até a gente perceber que isso se tornou habitual, o encorajamento vem do coletivo, da arte e do autoconhecimento. 
 
 
Quais seus projetos culturais para 2021?
 
Tem um bocado, mas eu sou supersticiosa, não posso contar agora. O que eu posso dizer é que eu quero muita saúde física, emocional e espiritual pro mundo, pra gente, pra todos nós.