Chumbo Pinheiro: "Número de leitores ainda é insignificante mesmo na pandemia"

20/02/2021

Por: CEFAS CARVALHO
 
Chumbo Pinheiro é o pseudônimo de Luís Pereira da Silva,  poeta, pesquisador e articulista, autor de "A Tua Mão" (poesia); e "Nei Leandro de Castro – 50 Anos de Atividades Literárias" (ensaio, como co-autor). Em entrevista ao Portal PN, falou sobre como está sendo produzir literatura nestes tempos.
 
 
Conseguiu produzir durante os tempos de isolamento e de pandemia?
 
O necessário período de isolamento fundamental para preservação da vida e da saúde não foi  vivenciado por uma grande parte da população, por diversos fatores; além da política e do discurso genocida do presidente, a luta pela sobrevivência cotidiana e a realização das necessárias atividades essenciais entre as quais eu também me enquadro. Portanto, tomei todas as precauções, procurando seguir os protocolos da OMS. Apesar da rotina de trabalho não haver sido alterada - com exceção dos cuidados sanitários - consegui produzir alguns textos e algumas poesias.
 
Você tem um ótimo livro sobre Nei Leandro, que completou 80 anos em pleno ano de pandemia. Considera que o período atrapalhou as celebrações em torno da data?
 
Apenas coautor. O livro sobre Nei Leandro na verdade trata-se de uma obra conjunta com a participação do Mestre em literatura, pesquisador e incentivador da literatura potiguar Thiago Gonzaga e da também Mestre em literatura e pesquisadora Fátima Lima.
 
Oitenta anos de vida. Mais de cinquenta anos de vida literária mereciam ser celebradas em grande estilo. Nei Leandro é um ícone na literatura potiguar e sua obra ocupa um espaço no cenário nacional como poucos potiguares já alcançaram. Um evento á altura destas datas certamente reuniria  um grande público e seria inviável, tendo em vista o risco a que todos estariam expostos. A pandemia  afastou essa possibilidade adiando essas comemorações.
 
 
Quais seus projetos literários para 2021?
 
Tenho algumas ideias. Entretanto, a concretização delas dependerão de várias circunstâncias. Por ora, o plano é continuar escrevendo.
 
 
Acredita que durante a pandemia as pessoas em geral leram mais livros?
 
Deve existir algum estudo que apresente estatisticamente essa resposta positiva. Considerando não só os livros impressos, mais também os virtuais. No entanto, o que me inquieta é que ainda assim é muito baixo o número de leitores no cenário literário brasileiro. Seria muito importante que mais pessoas lessem. De uma maneira geral ainda é bem insignificante mesmo durante o tempo de isolamento e pandemia.
 
 
Como acha que serão os lançamentos literários e eventos culturais a partir de agora, mesmo com a vacina chegando?
 
Acredito que inicialmente os lançamentos literários serão retomados de forma lenta e obedecendo
os protocolos sanitários. Isso vai requerer cuidados extras tanto da parte dos  promotores, editoras, como dos escritores, público e todos os envolvidos. Pode ser que surjam novos formatos de lançamento utilizando-se das mídias sociais. No entanto, acredito  que para a maioria dos  escritores o contato com público é algo, mágico, poderia dizer. Pois é a possibilidade do encontro, do contato, do calor humano e a construção deste mundo mágico que é o dialogo entre autor, leitor, o livro e seus personagens. Amplio esse pensamento para os eventos literários.  Imagine, (e embora eu não tenha acompanhado) ocorreram recentemente em algumas cidades aqui do Estado eventos literários virtuais. Algo novo que ainda deve ser avaliado. Porém acredito que os eventos presenciais devem ser pensados coletivamente pelos escritores e entidades representativas de maneira que os processos de incentivos e disseminação da leitura sejam retomados.