"A discriminação está presente em todas as esferas sociais", diz feminista negra

24/02/2021

Por: Redação PN

 

 

         Nesta quarta-feira, no jornal Potiguar Notícias - Primeira Edição, a jornalista Andrezza Tavares entrevistou Ana Paula Campos, escritora, professora e militante feminista negra, que falou sobre a concepção de racismo estrutural no Brasil, além da importância dos estudos sobre a filosofia oriunda da África.

         Segundo a escritora, o fato de ser a primeira colunista negra do Rio Grande do Norte não é motivo de orgulho, uma vez que expõe a realidade de opressão em relação às mulheres negras. Para ela, pensar em ser negra no Brasil é viver em uma luta eterna contra as discriminações raciais e de gênero, fato que suscita a necessidade de assumir o espírito de ancestralidade de mulheres guerreiras oriundas do continente africano.

         Em relação ao racismo estrutural vigente no país, a escritora ressalta: "esse termo se esvaziou um pouco semanticamente, uma vez que as pessoas vulgarizaram seu sentido. Por ser estrutural, a discriminação está presente em todas as instâncias - seja jurídica, educacional, midiática e cultural. Em outras palavras, por mais boa vontade que as pessoas brancas apresentem, invariavelmente elas serão contaminadas por esse racismo, independentemente do aspecto moral. Portanto, trata-se de uma questão de preconceito inconsciente, estabelecido ao longo da formação da nossa sociedade, e só mudaremos esse quadro justamente se atacarmos essa estrutura".

          No que se refere ás políticas destinadas às 'minorias', Ana Paula Campos enfatiza: "para ser sincera, eu não gosto do termo "minorias", uma vez que o mais correto seria "grupos acêntricos", no sentido de que estamos à margem das decisões importantes para o país. Por outro lado, é salutar falarmos em filosofia, tendo em vista que nossa visão ocidental está muito voltada para a Grécia clássica, e que, na verdade, muito do que conhecemos de princípios filosóficos são oriundos da Alexandria egípcia, na África. Na verdade, para entendermos essa discussão sobre direitos dos grupos acêntricos, precisamos remontar a esse período, e entendermos o que foi o processo histórico de deslegitimação da nossa cultura africana", finaliza.

 

Para assistir à entrevista, acesse o link: https://youtu.be/yObnqMVIaMY