Debate Potiguar Notícias discute: 2° onda da Covid-19. Como se proteger?

02/03/2021

Por: Jessyanne Bezerra

 

No debate Potiguar Notícias, o Dr. Ion Andrade, médico infectologista, e o auditor fiscal, Fernando Freitas, discutem o tema: “O drama da 2° onda da Covid-19. Como se proteger?" A mediação é feita pelo jornalista Pinto Júnior.

Brasil tem 30.484 mortes por Covid-19 em fevereiro, 2º maior número em toda a pandemia, segundo dados apurados pelo consórcio de veículos de imprensa junto às secretarias de Saúde do país. “Nós temos tido no SUS, uma carência crônica de Leitos de UTI, o que acontece é o seguinte: quando um paciente se interna, ele precisa de um financiamento da diária daquele leito de UTI e isso quem financia é o SUS. Mas ultimamente nessa loucura que o Brasil se tornou, alguns estados da federação tiveram que assegurar, pelo STF, que o ministério da saúde continuasse financiando esses leitos. E o governo federal está se movimento no sentido de ‘lavar as mãos’ no sentido desses leitos. ” Esclareceu o Dr. Ion Andrade, médico infectologista.

O Rio Grande do Norte começou, de sábado (27) para domingo (28), um toque de recolher, na tentativa de frear os casos de Covid-19. Em Natal e região metropolitana, o colapso do sistema de saúde fez com que pacientes tivessem que ser transferidos para o interior. “Estamos sendo obrigados a tomar medidas mais duras simplesmente porque o número de leitos é insuficiente. Isso acaba sendo uma lógica de difícil absorção pela população que está sendo de alguma maneira ‘deseducada’ pelos setores negacionista que ocupam o governo federal” Declarou Dr. Ion Andrade.

O médico infectologista, Dr. Ion Andrade ressalta: “É um grande problema porque a pandemia precisa ser controlada de acordo com o número de leitos, porque os leitos não são infinitos. ”

Medicamentos sem eficácia contra a Covid-19 se tornam problema adicional para médicos e mais de 90% dos internados em UTIs do RN usaram remédio sem eficácia comprovada contra Covid-19. “A terapêutica não deveria ser objeto de ideologia. E esse assunto está politizado e é pelo fato de que o governo federal não deu a prioridade devida aquilo que está consolidado, do ponto de vista cientifico, como método adequado de enfrentamento a pandemia: medidas de isolamento social, uso da máscara, não aglomeração. E o governo federal tem sido sistematicamente contrário e o próprio presidente da república tem incentivado aglomerações e não ter dado prioridade as vacinas. ” Declarou Dr. Ion Andrade.

O Rio Grande do Norte registrou 300 mortes por Covid em fevereiro, o quinto maior número desde o início da pandemia. Mais de 800 pessoas estão internadas em todo o estado potiguar. “Ultrapassado esse limite de saturação de leitos, as pessoas começam a não ter alternativa de tratamento e por isso que o óbito se implanta. Ao caos sanitário, como aconteceu no Amazonas, se sucederá o caos funerário. ” Afirmou o médico infectologista.

 

Número de Leitos

No setor público:

  • 296 Leitos Críticos – 269 ocupados; 17 disponíveis; 10 bloqueados; 91% de ocupação
  • 328 Leitos Clínicos – 238 ocupados; 65 disponíveis; 25 bloqueados; 72% de ocupação

Em processo de abertura: 69 leitos nos municípios de Natal, Paus dos Ferros e São Gonçalo do Amarante

 

Vacinação

No dia 23, o Brasil recebeu 3,2 milhões de doses de vacinas contra a Covid-19: 2 milhões da vacina de Oxford/AstraZeneca e 1,2 milhão da CoronaVac. As doses começaram a ser distribuídas aos estados no dia 24. “O presidente da república não deu prioridade e as vacinas ficaram em segundo plano, o Brasil não assinou o protocolo da Covax com a prioridade que teria dado ao país 140 milhões de doses e agora está recebendo miseras doses, e a população sendo vacinada a conta-gotas” Declarou Dr. Ion Andrade.

No geral, a vacinação contra Covid-19 no país aponta que, até domingo (28), cerca de 6,5 milhões de pessoas haviam recebido a primeira dose de uma vacina contra a Covid no país. O total corresponde a 8,44% das 77 milhões de pessoas que estão em grupos prioritários e a 3,1% da população brasileira. “Temos um governo muito negacionista e insistindo nesse ‘tratamento precoce’, retardando a campanha de vacinação. Ao invés do governo federal e o ministério da saúde, tomar a frente desse processo de vacinação e negociar um calendário de vacinação mais audacioso, mas fica nesse processo a conta-gotas” afirmou Fernando Freitas.

Para saber mais veja a entrevista acessando o link: https://youtu.be/YPQG3nS71dI

 

Fonte: Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde (LAIS/HUOL/UFRN)