Após recorde no número de mortes, Bolsonaro diz "Brasil dá exemplo" contra Covid

22/03/2021

Por: Jessyanne Bezerra
Foto: AFP/Arquivos

 

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse hoje que o Brasil “vem dando exemplo” no combate à pandemia. “Estamos dando certo, apesar de um problema gravíssimo que enfrentamos desde o ano passado. Mas o Brasil vem dando exemplo. Somos um dos poucos países que está na vanguarda em busca de soluções”, disse Bolsonaro, em Brasília.

A fala vem no dia seguinte ao recorde na média de óbitos por covid-19 no país e na pior semana da pandemia. Considerando os últimos sete dias, morreram, em média, 2.255 pessoas por dia em decorrência da doença, de acordo com dados do consórcio de veículos de imprensa.

Na pior semana da pandemia no Brasil, entre 15 e 21 de março, e sem um cenário de queda no número de novos casos, o país somou 25% das mortes por covid-19 no mundo. Dados da OMS (Organização Mundial da Saúde) apontam que, no total, 60,2 mil pessoas foram vítimas da covid-19 no planeta nesse período —15,6 mil delas apenas no Brasil, país que representa apenas 2,7% da população mundial.

Bolsonaro aproveita seu aniversário para voltar a atacar restrições da pandemia

O presidente Jair Bolsonaro aproveitou seu aniversário de 66 anos neste domingo (21) para renovar seus ataques às medidas de confinamento em combate à covid-19, dizendo a seus apoiadores que lutaria por sua “liberdade”.

O líder de extrema direita desafiou os conselhos de especialistas sobre distanciamento social e máscaras para evitar a disseminação do coronavírus, embora tenha adotado recentemente um tom mais pragmático, sob pressão em meio a uma onda mortal da doença no Brasil.

No entanto, muitos na multidão estavam sem máscara, e Bolsonaro usou seu discurso improvisado para fazer novos ataques às restrições ordenadas por prefeitos e governadores, que estão preocupados com o possível colapso de seus sistemas de saúde.

A pandemia já custou 294 mil vidas no Brasil, atrás apenas dos Estados Unidos. As autoridades relatam que as unidades de terapia intensiva estão com ocupação acima dos 80% em 25 dos 27 estados e quase saturadas em pontos-chave, incluindo São Paulo e Rio de Janeiro.