CRP-RN promove debate sobre atuação de psicólogos em desastres como a COVID-19

24/03/2021


 
Para discutir sobre as estratégias de atuação profissional de Psicólogos em desastres como a pandemia da COVID-19, o Conselho Regional de Psicologia (CRP-RN) promoverá um Ciclo de Debates nos dias 24 de março; 7 e 22 de abril. Cientificamente, a pandemia é caracterizada como um “desastre biológico”, tendo como uma das consequências as inúmeras perdas humanas. Evento online tem como público-alvo profissionais e estudantes de psicologia.
 
Em um ano, a pandemia ocasionou mais de 2 milhões de mortes pelo mundo e quase 300 mil no Brasil - país latino-americano mais afetado pela crise de saúde pública. No momento, o país vive a segunda onda da doença com surgimento de novas variantes, situações de colapso no SUS, superlotação de hospitais, falta de leitos e, em alguns casos, falta de oxigênio.
 
O Conselho de Psicologia abordará ainda situações de risco e emergência em desastres naturais e tecnológicos, e em migrações e refúgios. Stenio Oliveira, conselheiro do CRP-RN e coordenador do Serviço de Emergências e Calamidades Públicas de Natal, explica que há uma diferença entre os conceitos de risco, emergências e desastres.
 
“O risco é a probabilidade de algo acontecer. Já emergência é algo que surge como forte ameaça e que pode causar danos. E por último, os desastres são fenômenos que provocam danos em massa, de natureza social, econômica, ambiental e psicológica, e que necessitam de políticas de enfrentamento nacional e/ou internacional”, afirma.
 
Stênio aponta que os impactos causados pelos desastres são diversos: “São perdas humanas, materiais, econômicas, danos ambientais às mudanças culturais forçadas, e a COVID-19 é a maior situação de desastre que a humanidade vem enfrentando. De modo geral, a Psicologia tem um olhar de cuidado para essas situações”, diz.
 
Atuação da Psicologia
 
Segundo o conselheiro do CRP-RN, a atuação de psicólogos em emergências e desastres é normatizada pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP) por meio de por meio de Notas Técnicas (NT) publicadas em 2013 e 2016, e pelo Código de Ética da profissão.  
 
Em 2016, o CFP recomendou a atuação do psicólogo nas fases de construção participativa dos Planos de Contingência de Proteção e Defesa Civil nas três esferas de governo: federal, estadual e municipal, garantindo a inclusão dos componentes de atenção psicossocial e da saúde mental, além da integração entre o Sistema Único de Saúde (SUS) e do Sistema Único de Assistência Social (SUAS).
 
De acordo com o conselheiro, o psicólogo atua de forma interdisciplinar, na identificação dos grupos e das condições de vulnerabilidade social, com o objetivo de auxiliar as vítimas a enfrentar perdas materiais, físicas e sociais, por meio da elaboração do luto, ou seja, usando estratégias para manejo da dor, por exemplo, realizando atendimentos individuais ou em grupos. Além de disso, os psicólogos atuam na identificação e resolução de determinados transtornos causados pelo evento danoso como ansiedade, depressão e estresse pós-traumático.
 
Os psicólogos podem atuar também na preparação de outros profissionais em equipes de emergência, atendendo na pré e pós-emergência, auxiliando na estabilidade emocional dos bombeiros, por exemplo.
 
“A atuação de psicólogos é de fundamental importância em todas as fases da Gestão de Riscos, principalmente no processo de construção da resiliência e protagonismo social das pessoas afetadas, pois os danos e impactos psicossociais dos desastres são diversos”, afirma.
 
É preciso desnaturalizar
 
Para pesquisadores do Núcleo Interdisciplinar de Pesquisas sobre Desastres (NUPED-UFRN), a governabilidade, a política de Redução de Risco de Desastres (RRD) e atuação de equipes multidisciplinares são fundamentais para o gerenciamento dos danos causadores de desastres. Para os especialistas, as declarações da OMS sobre a COVID-19 eram um “convite” para que os governos preparassem seus mecanismos nacionais para gestão e resposta para o fenômeno, frente ao risco imposto pelo vírus ao mundo, apontando para a necessidade de ações coordenadas de combate.
 
É o que afirma o pesquisador Pitágoras José Bindé no artigo Formação multidisciplinar em Psicologia como uma estratégia para a redução dos riscos de desastre. “Aceitar e reconhecer o risco de desastres implica para o gestor assumir que as políticas públicas são fundamentais para uma governança preventiva eficaz, ou mesmo assumir que suas políticas públicas foram insuficientes ou pouco priorizadas durante a gestão-solução dos problemas do país, estados ou municípios’’.
 
No Brasil, a falta de eficiência dos gestores públicos, o atraso das vacinas, as superlotações dos hospitais, a falta de insumos, o incentivo a aglomerações e as críticas ao uso de máscaras e ao distanciamento social afastam as pessoas da prevenção e agravam o cenário de desastre com aumento do risco de infecções, mortes e das vulnerabilidades sociais. Portanto, para o pesquisador, é equivocada a associação da pandemia como algo “natural’’, visto que todos os impactos à saúde e a realidade social necessitam de ações políticas para o enfrentamento.
 
“Todo cenário de desastre foi reflexo de uma gestão desintegrada e não participativa dos riscos. Logo, um “dever de casa” feito sem esmero”, completa Pitágoras.
 
SERVIÇO
 
Ciclo de Debates: Atuação da(o) Psicóloga(o) em situações de Risco, Emergências e Desastres
 
Realização: 24 de março; 7 e 22 de abril.
 
Horário: 19h às 21h
 
Onde: Online, Cisco Webex.
 
Público-alvo: Profissionais e estudantes de Psicologia
 
Certificado: 2h, é obrigatório assinar lista de presença eletrônica
 
Inscrições e Informações: https://crprn.org.br