"É lamentável o uso político e ideológico de uma morte como a do PM na Bahia"

29/03/2021


Foto: RODUÇÃO/REDES SOCIAIS

 

Na tarde de domingo 29, o policial militar Wesley Soares se encaminhou em direção ao Farol da Barra, ponto turístico de Salvador. Fardado, armado com um fuzil e com o rosto pintado de verde e amarelo, dava tiros para o alto dizia frases desconexas como: “Venham testemunhar a honra ou desonra do policial militar da Bahia” e “não vou permitir que violem a dignidade humana de um trabalhador”.

Segundo a Polícia Militar, o soldado estava em ‘descontrole emocional’. A PM isolou a área e chamou a equipe do BOPE para tentar negociar com o policial. Após três horas e meia de negociação, já no início da noite, Soares disparou contra os policiais e foi abatido. Morreu horas depois no Hospital Geral do Estado.

O caso mobilizou policiais. Na madrugada, houve um protesto em frente ao hospital onde o soldado era socorrido. Uma outra manifestação ocorre na manhã desta segunda-feira 29 no Farol da Barra. O principal articulador dos protestos é o deputado estadual Soldado Prisco (PSC), um ex-PM e articulador contumaz de greves no estado. Prisco é ex-presidente da Associação dos Praças Policiais e Bombeiros Militares da Bahia, a Aspra.

Em paralelo, figuras importantes do entorno bolsonarista vem tentando conduzir politicamente a repercussão do caso. A deputada Bia Kicis (PSL), atual presidente da CCJ, disse que o soldado morreu porque “se recusou a prender trabalhadores” e “disse não às ordens ilegais do governador Rui Costa”. O post foi apagado horas depois.

Para o professor Rafael Alcadipani, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o caso é um triste exemplo da erosão da saúde mental entre a categoria. “O policial do Brasil se mata mais que a média da população e mais que a média dos policiais no mundo”, diz. “É lamentável que um governo que não faz nada pela saúde mental dos policiais tente fazer uso político e ideológico dessa morte”.

E que, embora a PM baiana tenha histórico de insubordinação, não vê ainda elementos suficientes para a realização de uma greve. 

 

Fonte: Carta Capital