"Eu sempre escrevo o que incomoda o meu estômago", afirma Adélia Daniele

09/06/2021

Por: Redação PN

 

 

         Nesta quarta-feira, no jornal Potiguar Notícias - Segunda Edição, o jornalista Otávio Albuquerque entrevistou a escritora Adélia Daniele, que falou sobre as características de sua produção literária, além do seu trabalho mais recente, o livro de poemas "vertigo", publicado com o apoio da Lei Aldir Blanc, por meio da Fundação José Augusto e do governo do estado do Rio Grande do Norte. A poeta, nascida em Currais Novos, na região do Seridó, ainda é autora do livro "Bruta", lançado em 2016.

        Segundo a escritora, o empoderamento feminino, tema marcante em seus livros, é contemplado em sua poesia de forma natural, na medida em que faz parte da sua própria essência. Para ela, as questões relacionadas à autonomia e identidade feminina se constituem como elementos de inspiração do seu trabalho, além de estabelecerem uma relação de atemporalidade com o público feminino, levando em consideração a relevância de seus princípios.

         Em relação ao seu processo criativo, se parte exclusivamente da inspiração ou a partir da repetição, Adélia ressalta: "na verdade, é uma junção dos dois aspectos. No meu caso específico, sobretudo no que tange ao meu primeiro trabalho individual, o livro "Bruta", quase todos os poemas que o compõem foram frutos da espontaneidade das minhas emoções e sensações, sendo destituídos de qualquer etapa de edição. Eles são, como eu disse em uma entrevista recente, coisas pouco lapidadas".

         No que se refere ao seu mais recente livro, "Vertigo", e a intertextualidade que o caracteriza, a escritora salienta: " a obra faz referência ao título original de um filme do diretor americano Alfred Hitchcock, fato que ratifica a minha paixâo pelo cinema. Na verdade, os filmes e a música são manifestações artísticas que eu aprecio cotidianamente e são, para mim, paixões até maiores do que a própria literatura".

        Por fim, se considera seus escritos como 'intimistas', Adélia explica: "eu sempre escrevo o que incomoda o meu estômago. Em outras palavras, minha poesia está diretamente relacionada às minhas vivências, sentimentos e angústias. Ela é intimista, na verdade, uma vez que meu objetivo não é censurar a realidade à minha volta, mas observá-la e descrevê-la mediante minhas inquietações", finaliza.

 

Para assistir à entrevista, acesse o link: https://youtu.be/02t-lk0Bw5Q