Perfil da Profa. Dra. Ilane Ferreira Cavalcante

15/06/2021

Por: Ilane Ferreira Cavalcante (PPGEP/IFRN) & Andrezza Tavares (PPGEP/IFRN)
Foto: Dra. Ilane Ferreira Cavalcante (PPGEP/IFRN)

 

Perfil da Profa. Dra. Ilane Ferreira Cavalcante: da formação em Letras para a produção de conhecimento no campo da Educação Profissional

     Fiz Licenciatura em Letras com habilitação em Língua Portuguesa e Língua Inglesa e respectivas literaturas na UFRN. Depois disso, a carreira acadêmica sempre esteve em minhas perspectivas. Iniciei o mestrado na primeira turma do Programa de Pós-graduação em Estudos da Linguagem da UFRN e, durante o mestrado, já iniciei minha experiência na docência superior em faculdades privadas. Antes disso eu havia tentado trabalhar com ensino fundamental e médio, mas não tinha me adaptado bem, atuava principalmente em cursinhos de idiomas. Depois de três anos em que havia terminado o mestrado eu queria continuar minha formação, mas a área de Letras não abria o doutorado, então, tentei o Programa de Pós-graduação em Educação, sem grandes expectativas, mas para a minha surpresa, passei e fiz o mestrado nessa área, o que foi um grande aprendizado.

     A minha maior experiência profissional foi com o ensino superior. Muito cedo, aos 24 anos, eu iniciei na FACEX, ensinando língua portuguesa para turmas de graduação e seis meses depois passei a atuar na então UNIPEC, que depois se tornou Universidade Potiguar. Local onde atuei principalmente no curso de Letras (com incursões breves em outros cursos, inclusive no Mestrado em Odontologia, por um semestre) e onde iniciei também a articulação entre ensino, pesquisa e extensão em diversas experiências. Na UnP eu aprendi muito, principalmente porque atuei com colegas muito experientes, como Herta Nunes, com quem compartilhei Literatura Anglo-americana; Crisan Siminéia, com quem dialogava muito enquanto ela ensinou lá; Silvana Moura, minha querida amiga e professora de língua inglesa com quem aprendi muito e muitos outros colegas que levo com grande carinho para a vida, inclusive duas grandes amigas com quem produzo até hoje: Conceição Flores e Ana Santana de Sousa. Em 2006 saí da UnP para atuar no então CEFET RN, após ser chamada no concurso onde passei em 2º lugar.

     Eu creio que não escolhi a docência, ela me escolheu. Na verdade, eu nunca quis ser professora, porque a experiência, eu senti na pele em toda a minha infância e adolescência, era sofrida. Sou bisneta, neta e filha de professores alfabetizadores. A luta de meus antecedentes familiares era árdua e eu não queria isso. Tanto é que fiz Contabilidade no ensino médio. No entanto, ao fazer vestibular para a UFRN, escolhi aleatoriamente um curso só pela experiência, pois tinha certeza de que não passaria no vestibular. Eu havia estudado apenas ensino técnico e sabia que não tinha os conteúdos necessários para o acesso ao ensino superior, fruto que era da Lei 5.692/71, que havia transformado todo o ensino público em profissionalizante. No entanto, para a minha surpresa, passei e minha escolha acabou sendo a minha grande paixão: Letras.

     Entrei no IFRN por meio de concurso em 2006 para atuar no Campus Zona Norte. Lá, lecionei durante 03 anos, sempre compartilhando minha prática com o Campus Natal Central, isso porque, quando fui chamada o Campus Zona Norte ainda não estava finalizado, então, iniciamos nossa prática com os estudantes no Campus Natal Central, onde também fui convidada para atuar na Educação a Distância (ainda engatinhando à época) e na Licenciatura em Espanhol, que estava iniciando sua primeira turma. A experiência com a EaD e com Espanhol me deixaram apaixonada e, mesmo tendo a carga horária quase dobrada, mantive minha atuação nos dois campi durante os 3 anos em que estive lotada na Zona Norte.

     Atuei logo de entrada na Zona Norte em cursos de Educação de Jovens e Adultos, também no Ensino Médio Integrado, no subsequente, enquanto mantinha a atuação na licenciatura no Campus Natal Central e na Educação a Distância que estava dando os primeiros passos com a adesão ao edital de criação da Universidade Aberta do Brasil, ofertando o Tecnólogo em gestão Ambiental. Nesse curso fui, primeiro, professora. Depois, atuei na EaD como revisora, design instrucional, conteudista e tive minha primeira experiência na gestão com a função de Coordenadora do Programa Universidade Aberta do Brasil (UAB), onde permaneci de 2010 a 2017. Durante esse período atuei no Fórum Nacional de Coordenadores UAB, como vice-presidente do Fórum, ajudando a estabelecer ações de suporte às instituições em âmbito nacional. Foi uma experiência muito rica para mim. Também atuei (e atuo) nas especializações a distância quando da criação do Campus EaD (hoje Natal Zona Leste) e continuo atuando lá em cursos dos mais variados formatos, desde graduação até especialização e FIC.

     O IFRN tem sido uma grande escola para mim, pois não só me levou a buscar formações paralelas em cursos (Produção de Material didático para EaD, Design Instrucional, Formação em EaD, Tutoria em EaD, entre outros) também me levou a compreender os aspectos mais ligados à gestão com a experiência da coordenação da UAB, quando tive de compreender inclusive sobre orçamento. Na pesquisa, tenho atuado seguindo as experiências que o IFRN me proporciona, como os projetos ligados à tecnologia na educação, à elaboração de material didático e à acessibilidade nos cursos a distância, tema sobre que aprovei projeto em chamada Universal do CNPq. Outro grande aprendizado tem sido a experiência no PPGEP, onde ensino e aprendo com a pesquisa dos orientandos e junto aos colegas de trabalho.

     Meus maiores interesses de pesquisa diante da atuação no IFRN e no PPGEP se ligam à formação de professores na Educação Profissional e às práticas pedagógicas. Nesse âmbito, foco em questões ligadas ao uso de tecnologias na educação e nas questões ligadas à diversidade, principalmente no que tange às relações de gênero e à inclusão de pessoas com deficiência.

      Minha entrada no PPGEP se deu quando o grupo que estava organizando o projeto do curso ia submeter o APCN à Capes para aprovação. Fui convidada pelo professor Dante por conta do meu currículo e do potencial de produtividade que poderia contribuir com o programa. Estou no programa desde seu início, portanto. Para mim, o PPGEP é um programa que permite, para o estudante, a verticalização em sua formação, que pode seguir desde o ensino técnico até o doutorado na mesma instituição. Claro que essa não é a intenção maior do programa, que tem uma contribuição muito mais relevante no âmbito da construção da área de pesquisa em Educação Profissional.

 

 

Fonte: Dra. Ilane Ferreira Cavalcante (PPGEP/IFRN)