Há liberdade em Cuba?

20/07/2021

Por: Otávio Albuquerque
Foto: latamjournalismreview.org

 

A repórter do portal de notícias Cubanet, Camila Acosta, está presa em sua casa desde a última semana por fazer a cobertura das manifestações de 11 de julho contra o governo de Miguel Diaz-Canel, aliado político dos irmãos Castro. Após a realização do trabalho, a jornalista foi acusada de corroborar com a desordem pública e detida por quatro dias na capital Havana por ordem do regime.


Não obstante a prisão, Camila teve seu material de trabalho (telefones e notebooks) apreendido pelas autoridades do governo. A jornalista, a qual está diariamente sob a vigilância do estado, esclarece alguns aspectos relacionados ao seu cárcere, além de opinar sobre o cenário de autoritarismo que impera em seu país desde a revolução promovida por Fidel Castro na década de 50.


No que se refere às condições às quais foi submetida, a jornalista relata toda a brutalidade imposta pela justiça cubana aos seus opositores. “Eles me interrogavam duas vezes por dia por mais de uma hora. A cela era horrível, sem janelas ou luz de sol. A única ventilação vinha de uma porta de ferro. Éramos seis mulheres, um calor insuportável, que atraía mosquitos. Não havia privacidade alguma. Banho ou necessidades ocorriam diante das demais. Entravam e saíam reclusas sem fazer testes para detectar o novo coronavírus”, desabafa. 


Em relação a um dos princípios basilares que regem a sua função, que é a liberdade de imprensa, a repórter ressalta que a perseguição do poder vigente ao trabalho jornalístico é constante, fato que inviabiliza a formação de uma sociedade pautada por um sistema democrático. “As prisões são frequentes, infelizmente. Esta não foi a primeira vez que fui presa, mas foi a primeira vez que me mantiveram tantos dias na prisão. Antes eu passava algumas horas detida, confiscavam meu celular, mas era liberada. Agora estou em prisão domiciliar enquanto durarem as investigações. Segundo me disseram, por seis meses ou mais. Fui despejada por ordem do governo e acolhida por um amigo, pois não pude mais entrar na minha casa”. 


Por fim, a jornalista emite um parecer sobre o que significou os protestos populares contra o governo, ressaltando o seu caráter atípico, mas projetando um enfraquecimento do atual sistema político. “Foi inédito, algo único na história da ditadura castrista. Uma manifestação desta magnitude só demonstra o declínio do sistema. A população não está com eles, necessita de mudanças e anseia por liberdade. O regime respondeu com muita repressão, há milhares de pessoas desaparecidas ou detidas, incluindo menores de idade. Não há transparência sobre as prisões, o regime esconde as cifras, difunde o terror e intimida a população para que não volte a sair às ruas”, finaliza.