"Meu corpo social": Relatos autobiográficos e ensaios de Gustavo Sartori Barba

28/07/2021


 
Desde o início do século 20, a Psicanálise e a Literatura vêm remodelando as visões dos sujeitos sobre si mesmos. Tanto o inconsciente quanto a produção literária estabelecem uma relação importante com a linguagem. A escrita, assim como o sonho, pode ser a expressão de um desejo inconsciente, de um saber que o sujeito-autor ainda desconhece. 
E foi mergulhando nessa abordagem reflexiva e psicanalítica que nasceu a obra “Meu corpo social”, livro que o escritor Gustavo Sartori Barba acaba de publicar pela Editora Penalux. 
 
Sartori, que é empresário e bacharel em Direito, também estudou antropologia e psicanálise. O que, de certa forma, justifica e legitima a gênero do livro, que transita entre os relatos autobiográficos e os ensaios de cunho social, psicológico e antropológico.  
 
“Com esses escritos, eu busquei refletir o mundo a partir de passagens autobiográficas, valendo-me de ideias da sociologia, psicanálise e fatos históricos”, diz o escritor. 
Trabalhando com a linguagem, e com o inconsciente, Gustavo Sartori empreende o ir e o vir do contexto social para a experiência subjetiva. 
 
Seu livro também traz a descrição de um Brasil em conflito social, racial, econômico.  “Um país onde a violência está velada e ao mesmo tempo assentida”, aponta Sartori. “O livro pressiona o leitor a posicionar-se subjetivamente sobre as fissuras narradas”, explica.
 
As perguntas que “Um corpo social” elabora acerca das consequências da história política do país nos coloca de frente a questões permanentes, para além da organização temporal, material e histórica. Tocam a atemporalidade do inconsciente.
 
Sartori intenciona induzir o leitor a questionar os papéis sociais em que o indivíduo está inserido. “Se eu conseguir fazê-lo refletir sobre essas questões, meu livro terá cumprido o seu papel”. 
 
“Meu corpo social” é uma obra autobiográfica, por vezes intimista, mas em vários momentos transmuta-se em algo mais amplo, como um tratado social. O autor nos instiga, como leitores e sujeitos, a empreender por nossa vez o desafio de expressar a trajetória subjetiva por meio da linguagem. 
 
“Tento promover nessas páginas uma investigação das raízes sociais, históricas e psicossociais”, comenta o autor. “Todas essas questões que forjam o homem branco e de classe média do interior do Brasil contemporâneo e cosmopolita – eu como modelo”.
 
UMA OBRA ESTRANHA
 
O escritor Luiz Biajoni, que assina a orelha do livro, considera “Um corpo social” um livro estranho. “Creio que essa possa ser uma das melhores qualidades de um livro – ou de qualquer obra artística. A estranheza sugere originalidade”, defende Biajoni. “A estranheza deste livro não emana da busca por uma forma inovadora de escrita – o texto é bem formal e claro – nem por um choque temático ou impactante – parece até falar sobre coisas banais. O inusitado, que leva ao estranhamento, é como vemos, diante de nós, as formulações, dúvidas, questões e conclusões do narrador de maneira subjetiva e subjacente”. E finaliza: “Chegamos à conclusão, através da leitura, que não há nada mais estranho que o ser humano. [...] Somos todos estranhos – mas podemos melhorar”.
 
 
SERVIÇO
 
Meu corpo social, Gustavo Sartori Barba – memórias; ensaios (120 p.; 14x21), R$40,00 (Penalux, 2021)
Link para compra: https://www.editorapenalux.com.br/loja/meu-corpo-social
 
SOBRE O AUTOR
 
Gustavo Sartori Barba nasceu em Americana/SP onde vive até hoje. É bacharel em direito, empresário e escritor por ocasião indefinida. Estudou também um pouco de tudo e de nada, muito.