CPI da Covid: Prevent Senior teria ocultado mortes de pacientes em testes de cloroquina

16/09/2021

Por: Jessyanne Bezerra
Foto: Revista Piauí/Caio Borges - 2020

 

A CPI da Covid recebeu um dossiê com uma série de denúncias de irregularidades, elaborado por médicos e ex-médicos da Prevent. Segundo o documento, a pesquisa apoiada e financiada por Jair Bolsonaro (sem partido), o plano de saúde só mencionou duas das nove mortes que aconteceram. A GloboNews teve acesso.

O estudo tentava apresentar a cloroquina e outros remédios sem eficácia comprovada como possíveis tratamentos de Covid-19. A disseminação desses medicamentos foi resultado de um acordo entre a empresa e o governo federal, diz o documento.

Em consonância ao governo federal, o plano de saúde Prevent Senior ocultou mortes de pacientes que participaram de um estudo realizado para testar a eficácia da hidroxicloroquina, associada à azitromicina, para tratar a Covid-19.

Para ficar mais claro: os nove pacientes “cobaias” morreram durante a pesquisa, mas os autores de estudo da empresa só mencionaram duas mortes.

A operadora nega as denúncias e diz que se trata de uma tentativa de desgastar sua imagem. O diretor-executivo da companhia, Pedro Batista Júnior, seria ouvido nesta quinta-feira (16) pela CPI da Pandemia, mas não vai comparecer, alegando que foi convocado em cima da hora, com menos de dois dias para viajar a Brasília.

As denúncias contra a Prevent Senior indicam que estudos realizados com hidroxicloroquina e azitromicina foram manipulados e não seguiram critérios científicos. Há indicações de que a empresa ainda utiliza medicamentos não eficazes para tratamento de casos de Covid, mesmo após 19 meses de pandemia.

Como o país inteiro sabe, o presidente Jair Bolsonaro assumiu o papel de garoto-propaganda da cloroquina desde o fim de março de 2020.

Em levantamento feito entre o fim de junho e início de julho de 2020, pela Associação Paulista de Medicina entre quase 2 mil médicos, 49% dos entrevistados relataram ter sofrido algum tipo de pressão para prescrever tratamentos sem comprovação científica contra Covid-19. Um número ainda maior de profissionais, 69%, afirmou que a circulação de notícias falsas levou algumas pessoas a minimizarem a doença e desrespeitarem as medidas de prevenção.

Um ano após, em junho de 2021, 1 brasileiro morreu de Covid a cada 44 segundos. Em setembro, o número total de vítimas da doença chegou a 589 mil.

A questão agora é: quantos brasileiros morreram por acreditar no tratamento precoce sem eficácia veiculado e financiado pelo governo federal?