Reação ao veto da distribuição gratuita de absorventes é “mimimi”?

11/10/2021

Por: Otávio Albuquerque
Foto: oglobo.globo.com

 

Em tom de ironia, a deputada Alê Silva (PSL-MG), adepta do governo de Jair Bolsonaro, criticou a reação negativa de parcela da sociedade ao veto presidencial da distribuição gratuita de absorventes para mulheres em situação de vulnerabilidade social e estudantes de baixa renda da rede pública de ensino. De acordo com a parlamentar, os ataques à medida é fruto de “mimimi”, uma vez que, quem não tiver condições financeiras para comprar o produto íntimo, pode usar um “paninho” como alternativa.


Como forma de embasar sua opinião, emitida em sua conta no Twitter, a deputada bolsonarista questionou a falta dessa distribuição no governo anterior, além de afirmar que outras nações não adotam essa política. “Sou do tempo em que usávamos paninhos, que a cada mês eram lavados e passados para serem novamente usados. Não tinha mimimi, aínn  o governo tem que me dar. Por que em 13 anos de PT nunca houve a distribuição gratuita de absorventes? Por que apenas dois países no mundo aderiram à prática?", declarou a parlamentar.

 

Ainda como argumentação à sua postagem, Alê Silva, que é investigada no inquérito das Fake News e no atos contra o Supremo Tribunal Federal, aponta que a utilização de recursos públicos para a compra de absorventes para mulheres pobres é injusta, na medida em que é uma conta acrescida aos impostos pagos por toda a população. "Injusto é empurrar essa conta para os pagadores de impostos, inclusive os mais pobres, que são os que mais sofrem com as altas cargas tributárias deste país. Afinal de contas, não existe nada grátis”, disse a deputada que, no mesmo texto, classifica Bolsonaro como “herói”.


Conforme ratificou a Organização das Nações Unidas (ONU), no Brasil, mais de 4 milhões de mulheres não têm à sua disposição esses absorventes, fato classificado como “pobreza menstrual”. Além disso, ainda segundo a ONU, no âmbito educacional, um quarto das jovens brasileiras falta às aulas durante o ciclo menstrual, perdendo cerca de 45 dias letivos por ano.