Auxílio Brasil: Manobra política de Bolsonaro pode aumentar inflação e criar dívida paralela

25/10/2021

Por: Jessyanne Bezerra
Foto: Isac Nóbrega/PR

 

A insistente decisão do governo de manter parte dos custos com o novo benefício social, o Auxílio Brasil, furando do teto de gastos (crescimento das despesas limitado à inflação, imposto por lei) tem potencial para gerar mais inflação e afugentar investidores, dizem especialistas.
 
Seguindo o modelo que está sendo forçado pelo governo federal, como meio de diminuir o índice de rejeição do Bolsonaro, faz com que o mandato sofra uma perda de credibilidade da política fiscal. O formato do benefício será feito de duas formas: Primeiro, para R$ 300, dentro do teto de gastos. Os R$ 100 que restam para chegar a R$ 400 serão pagos fora do teto de gastos. Cerca de R$ 30 bilhões ficarão fora da regra do teto.
 
Com isso, além de criar uma dívida paralela, dar calotes no TCU e perder o controle de despesas o governo, a manobra desse novo auxílio pode gerar uma inflação pior do que a época de Sarney-Collor.
 
Em suma, o problema não é o Auxílio Brasil, mas sim o formato que está sendo imposto pelo presidente. Até porque, se houvesse uma preocupação com os mais pobres, o governo não teria passado os últimos cinco anos diminuindo valores e extinguindo os programas sociais.
 
Além disso, fica claro que o objetivo principal do governo, junto com os parlamentares via PEC dos Precatórios, é furar o teto de gastos para ter uma abertura orçamentária e, consequentemente, um fundo monetário para as eleições de 2022.
 
Em entrevista ao jornal O Globo, o ex-ministro da Fazenda Maílson da Nobrega classificou a decisão de deixar o gasto fora do teto como “um misto de populismo fiscal com trapalhada administrativa”. 
 
Sem sustentabilidade e responsabilidade fiscal, a medida sinaliza uma piora no quadro orçamentário. Na tentativa de buscar espaço fiscal, o economista afirmou: “Vão dar calote nos precatórios, o que é uma violação de contrato e uma vergonha para uma equipe econômica que se diz ultraliberal”.
 
A consequência desse tipo de manobra política é uma maior desvalorização do real frente ao dólar. Como consequência, os preços sobem, especialmente da gasolina e do diesel, que são atrelados à cotação internacional.
 
Ao mesmo tempo, uma percepção de maior risco faz com que os juros futuros subam, reduzindo a capacidade de investimento na economia. O resultado é um ano de 2022 com menos empregos e a população com o poder de compra corroído pela inflação.