Em documento, pastor disse que ressuscitaria em três dias. Após o prazo, família enterra o corpo

26/10/2021

Por: Otávio Albuquerque
Foto: jornaldebrasilia.com.br

 

Na madrugada desta terça-feira, o pastor Carlos Rodrigues foi enterrado em Goiatuba, no estado de Goiás. A pedido da viúva, o corpo do líder religioso ficou três dias na funerária. A motivação da mulher para adiar o sepultamento foi um documento assinado pelo próprio marido, o qual ratifica que, após o terceiro dia de sua morte, ressuscitaria, tal qual Jesus Cristo.


O documento, que não foi registrado em cartório, foi escrito pelo pastor Carlos Rodrigues ainda em 2008 e teve a anuência de duas testemunhas. Em um dos trechos, o evangélico enaltece toda sua fé, além de deixar claro que seu corpo não passaria pelo processo de decomposição. "Meu corpo durante os três dias não terá mau cheiro e nem se decomporá, pois o próprio Deus terá preparado minha carne e meu cérebro para passar por essa experiência", escreveu.


Devido a problemas cardiorrespiratórios, o pastor faleceu na última sexta-feira. Embora o “prazo” que o próprio líder religioso estabeleceu para seu retorno ao mundo dos vivos tenha se encerrado, uma legião de fiéis da igreja onde Carlos ministrava a palavra de Deus se amontoou na frente da funerária, pedindo que abrissem o caixão, imaginando que ele ainda poderia reviver. Apesar dos gritos dos religiosos, o féretro não foi aberto pelos agentes nem por Carlos.


Ainda no que concerne ao documento, o pastor Carlos Rodrigues definiu sua “partida” como um “mistério de Deus”, que o faria testemunhar situações parecidas como as descritas por apóstolos bíblicos como João, Lucas, Mateus e Marcos. Conquanto não tenha voltado para contar o mistério aos seus seguidores, o líder protestante demonstrou com clareza o processo metafísico pelo qual passaria. Nesse sentido, de acordo com seu registro, sua morte seria passageira e seus órgãos não deveriam ser tocados. 


"Conforme me foi revelado pelo Espírito Santo de Deus, eu terei atendimento médico no qual será constatada a minha morte. Mesmo após confirmado o óbito, me revela Espírito Santo que será expressamente proibido aos médicos ou qualquer pessoa tocar no meu cérebro ou no meu corpo físico. Ou seja, não poderá ser tocado nos órgãos internos ou externos, não podendo, portanto, passar por autópsia, cirurgias, ou qualquer tipo de medicação e muito menos a preparação do corpo pela funerária", revelou em caráter de projeção divina.


Em declaração à imprensa local, a administração da funerária declarou que não havia sepultado o corpo do pastor porque respeitou as reivindicações da família. Por outro lado, a Prefeitura de Goiatuba ressaltou que a Vigilância Sanitária notificou a funerária na segunda-feira para realizar o sepultamento imediato, "observando uma resolução que dispõe sobre o Controle e Fiscalização Sanitária do Translado de Restos Mortais Humanos".