"A homenagem de Bolsonaro a Ustra foi estarrecedora", diz Dilma Rousseff

19/11/2021

Por: Otávio Albuquerque
Foto: istoe.com.br

 

Nesta quinta-feira, em um evento de homenagem aos dez anos de criação da Comissão Nacional da Verdade, colegiado criado para apurar violações contra os direitos humanos entre os anos de 1946 e 1988, a ex-presidente Dilma Roussef relembrou um dos episódios relacionados ao seu impeachment em 2016. Durante o processo que levou à sua destituição da presidência no Congresso Nacional, o então deputado Jair Bolsonaro fez um discurso em que saudou o coronel Brilhante Ustra, torturador de Rousseff durante a ditadura militar. 

 

Na fala, a petista, que participava de forma virtual da cerimônia, classificou a declaração do atual chefe do executivo federal como “estarrecedora”. Ademais, a ex-mandatária ressaltou a importância da comissão, uma vez que, sem as investigações concernentes ao período da ditadura, outras “barbaridades”do tipo poderiam acontecer nos dias atuais. 

 

“Sem a Comissão da Verdade, maiores barbaridades teriam acontecido, além daquele fato, que é um fato estarrecedor, que é a homenagem prestada no voto feito pelo atual presidente da República, como deputado federal, no dia do impeachment, em que ele vota em homenagem a um torturador, ao maior torturador pelo menos do estado de São Paulo, porque durou mais tempo na chefia do Doi-Codi II da Operação Bandeirantes. Eu considero que aquele momento foi muito importante”,  relembrou Dilma Rousseff. 

 

Ainda no que concerne à homenagem de Bolsonaro a Ustra, algumas legendas entraram com representação contra o então parlamentar no Conselho de Ética da Câmara, como foi o caso do Partido Verde. No entanto, sob o comando de Marcos Rogério (DEM-MG), hoje senador governista, o processo foi arquivado. 

 

Falecido em 2015, Brilhante Ustra, embora reconhecido pelo tribunal de justiça de São Paulo como torturador, foi exaltado em diversas oportunidades por Jair Bolsonaro, o qual lhe dedicou as alcunhas de “herói nacional” e “pavor de Dilma Rousseff". Já eleito, em 2019, o mandatário da nação recebeu a viúva de Ustra no Palácio do Planalto, a fim de enaltecer os “feitos” do ex-militar.