Ditadura ou revolução? Bolsonaro declara que queria questões sobre regime militar no ENEM.

25/11/2021

Por: Otávio Albuquerque
Foto: revistaforum.com.br

 

Nesta quarta-feira, em um encontro com apoiadores no seu famoso “cercadinho” no Palácio da Alvorada, o presidente Jair Bolsonaro declarou que gostaria de ter participado da elaboração da prova do ENEM, sobretudo no que se refere a algum questionamento acerca do regime militar no Brasil. Apesar de negar a interferência do governo no exame, o atual chefe do executivo federal voltou a criticar as questões de cunho ideológico das provas.


No que concerne à inserção de perguntas inerentes ao período militar, iniciado em 1964, Bolsonaro colocou em xeque o conhecimento da imprensa e ressaltou a importância do tema para que as novas gerações tenham uma visão mais ampliada da época. “Não vou discutir se foi ou não foi ditadura militar. Mas queria, sim, botar uma questão lá, se pudesse, quem foi o primeiro general que assumiu em 1964? Castello Branco. Em que data? Em 31 de março, 1º de abril, 2 de abril ou 15 de abril? A maioria do pessoal da imprensa erraria. O que eu queria com isso? Não é discutir o período militar, é começar a história do zero. Isso a garotada tem que saber. O que aconteceu depois é outra história. Não tem governo 100% certo, que acerta tudo”, salientou.


Bolsonaro eximiu de culpa o ministro da Educação Milton Ribeiro no que tange a qualquer intervenção no exame, mas deixou claro, em ataque à suposta ideologia de esquerda presente na avaliação, qual seria o seu tipo ideal de prova. "Tão acusando o Milton (Ribeiro, ministro da Educação) de ter interferido na elaboração das provas. Se ele tiver essa capacidade e eu, não teria nenhuma questão de ideologia nesse Enem agora, que teve ainda. Você é obrigado a aproveitar banco de dados de anos anteriores. Você é obrigado a aproveitar isso aí. Dá para mudar? Já está mudando", ressaltou.


Bolsonaro, que falou na semana que o ENEM teria a “cara do governo”, ainda reiterou o que chamou de “militância” em torno das provas, seja na proposição de questões sobre política ou voltadas para discussões de gênero. “Houve um ‘desvirtuamento’ por parte de alguns professores militantes que ficam imperando em sala de aula. Como é difícil a gente mexer na legislação que trata do ensino dentro do Brasil. Mas os parlamentares têm que perseguir essa legislação. Olha as provas do Enem como eram há pouco tempo. Questões que não tinham nada a ver com o nosso futuro. Estamos, aos poucos, mudando isso”, concluiu o mandatário.