Indicado por Bolsonaro ao STF, André Mendonça afirma: "Na vida, a Bíblia. No Supremo, a Constituição

01/12/2021

Por: Otávio Albuquerque
Foto: diariodepernambuco.com.br

 

Indicado pelo presidente Jair Bolsonaro a uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça participou na manhã desta quarta-feira de uma sabatina no Senado da República, a fim de apresentar suas “credenciais” para ocupar o cargo. De acordo com o ex-ministro da Justiça, apesar do atual chefe do executivo federal tê-lo classificado como “terrivelmente evangélico”, seu compromisso é com o estado laico. 


Embora tenha uma atuação religiosa como pastor presbiteriano, André Mendonça ressaltou na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) que "não haverá espaço” para exposições relacionadas à sua fé durante o exercício de suas funções como magistrado da Suprema Corte. “Considerando discussões havidas em função de minha condição religiosa, faço importante ressaltar minha defesa pela laicidade do estado”, disse.


Durante sua exposição aos parlamentares, Mendonça, que dispõe, segundo apuração do UOL, da aprovação de pelo menos um terço dos senadores, citou o pedido que Jair Bolsonaro lhe fez, no sentido de iniciar as sessões da semana no STF com orações, exaltando a premissa religiosa/evangélica que norteia o governo federal. O ex-advogado-geral da União (AGU), no entanto, fez questão de salientar que negou o pedido do mandatário. "Na vida, a Bíblia. No Supremo, a Constituição", afirmou de forma sucinta. 


No que concerne à sua atuação à frente da AGU, senadores da base de oposição ao governo relembraram da defesa de Mendonça na manutenção dos cultos presenciais, mesmo na vigência da pandemia do novo coronavírus. Na época, o ministro bolsonarista salientou, de maneira contundente, que “os verdadeiros cristãos estão sempre dispostos a morrer para garantirem a liberdade de contemplar a sua fé".