Especialistas cobram aprovação de PEC que reconhece caatinga como patrimônio nacional

28/04/2022


Foto: Arquivo

 

Na semana do Dia Nacional da Caatinga, comemorado nesta quinta, 28 de abril, especialistas cobraram a aprovação de uma PEC que reconhece o bioma como patrimônio nacional. Eles apontaram iniciativas de manejo e recuperação do semiárido brasileiro, que é rico em biodiversidade e potencial de energia solar, apontou reportagem da Rádio Senado.

 

A PEC que inclui a Caatinga e o Cerrado entre os biomas considerados patrimônio nacional, assim como a Floresta Amazônica e o Pantanal, garante o acesso a políticas públicas de fomento e preservação. A proposta já passou pelo Senado e está em análise na Câmara.

 

O dia 28 de abril foi escolhido como o Dia da Caatinga como homenagem ao ecólogo pernambucano Vasconcelos Sobrinho. Ele foi um pioneiro no estudo do bioma que mostrou que o sertão não é só seca e miséria como muitos imaginavam, ele guarda um patrimônio biológico único no mundo que deve ser explorado de forma sustentável.

Entre as espécies que só existem na caatinga estão umbu, licuri e cambuí, que além de servirem como alimento têm um valioso potencial medicinal, explicou a pesquisadora Márcia Vanusa da Silva. "O que nos chama atenção é a quantidade de saberes dessas populações, sejam elas indígenas, populações tradicionais, sejam sertanejas, que sempre conhecem essas plantas para algum uso medicinal. E a gente precisa urgente catalogar esse saber e fazer com que ele passe para as próximas gerações", defendeu.

 

Outro grande potencial do semiárido é o de geração de energia solar. Francis Lacerda, do Instituto Agronômico de Pernambuco, mostrou iniciativas inovadoras que já integram os paineis solares com captação de água, plantio, criação de aves e de peixes. "É possível você instalar essa unidade e produzir durante o ano inteiro, independentemente das condições climáticas. Ele promove, além da captação de água de chuva, a segurança energética. Promove o reflorestamento das áreas em processo de degradação ambiental". 

 

Um sistema agrofotovoltaico como esse custa cerca de 30 mil reais e se paga em três anos. O presidente da Comissão, Jaques Wagner, do PT da Bahia, defendeu o financiamento público das instalações. “Eu digo sempre ao meu povo que agricultura familiar significa agricultura em dimensões familiares, mas não quer dizer sem acesso ao conhecimento, porque é aí que está a crueldade. Não tem mais sentido fazer agricultura familiar com enxada e ancinho, não é? Nós podemos fazê-lo com o exemplo de tecnologia moderna, mas é preciso decisão política para essas coisas”.