Privatizar o Pré-sal é uma ilegalidade, diz Sindipetro-RN sobre declaração de ministro

13/05/2022


Foto: Sindipetro-RN

Coordenador geral do Sindipetro-RN, Ivis Corsino avalia como ilegal a proposta do governo federal de privatizar o Pré-sal, anunciada como prioridade pelo ministro das Minas e Energia, Adolfo Saschida. Corsino disse, ainda, que a estratégia do presidente Jair Bolsonaro em criticar a Petrobras e, ao mesmo tempo, mudar os dirigentes da empresa, é uma cortina de fumaça para encobrir o que classifica de incapacidade do governo de gerenciar a crise gerada pelos constantes aumentos dos combustíveis.

 

“Quando o presidente ataca a Petrobras, ele muda o presidente da empresa, troca o ministro, isso é falacioso”, avalia. “É uma estratégia atrapalhada”, define. “Desde que houve a política de paridade do preço internacional (PPI, adotada pelo governo desde 2016) só aqui no RN em Guamaré se deixou de refinar, por ano, 2 milhões de barris de petróleo”, completa.

 

“Nós estamos deixando de refinar o petróleo brasileiro dentro do Brasil, com custos lastreados em reais, com mão de obra remunerada em reais e ter a sua comercialização remunerada em reais para importar derivados e comercializar em preços dolarizados. Por isso que a estratégia é a atrapalhada”, diz o dirigente sindical.

 

“Afinal, o governo, recentemente, não só indicou o presidente da Petrobras, como indicou a maior parte do Conselho de Administração. E trocou o ministro de Minas e Energia justamente sob a alegação de ser contrário à alta de combustíveis”, argumenta Corsino.

 

Sobre a declaração do ministro em priorizar estudos para a privatização da Petrobras e do Pré-sal, Corisno avalia como uma declaração infeliz. Para o coordenador do Sindipetro-RN, o ministro está agindo à margem da lei, porque o governo é acionista da PPSA. “Na verdade, é o dono integral da PPSA. E no momento que o Brasil passa por uma alta de preço de combustíveis e uma ameaça, divulgada recentemente, por importadores, que o Brasil pode ter desabastecimento de diesel, eu diria, que no mínimo, é um atentado contra a segurança nacional”, define.

 

“A gente vê isso como uma grande cortina de fumaça para o governo enfrentar esse debate do preço dos combustíveis ou tentar se eximir, mascarar, dissimular a relação que o governo possui com a a política de preços”, diz Corsino.

Segundo Corsino, é um paradoxo o país ser autossuficiente em petróleo e passar por essa crise. No passado, avalia, a Petrobras explorava, produzia, refinava, distribuía e comercializava petróleo. “E ainda produz energia através das termelétricas. Essa cadeia foi quebrada com essa política de privatização e, evidentemente, a atividade de petróleo no Brasil vem sofrendo uma retração”, argumenta.