Celebração ao Julho das Pretas tem “Asè Delas” com Pretta Soul, Iyalê e Analuh Soares

26/07/2022


Foto: Divulgação

 

O Dia Internacional da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha terá celebração na praça Padre João Maria nesta quinta, 28 de julho, a partir das 14h, no espaço do Studio Aruandê e na própria praça, no centro histórico de Natal (RN).

 

A celebração ao Dia da Mulher Negra, Latino Americana e Caribenha e ao dia de Teresa de Benguela terá ações de formação artística e de afroempreendedorismo para capacitar mulheres em situação de rua e jovens em vulnerabilidade social através de oficinas, palestras, ações sociais e programação musical.

 

Finalizando a programação, para festejar o Dia da Mulher Preta, show do “Asè Delas”, grupo formado por Pretta Soul, Iyalê e Analuh Soares, que receberão outras artistas negras para participações especiais.

 

ASÈ DELAS

Projeto criado em 2021, formado por cantoras negras atuantes no cenário musical de Natal, tem a proposta de celebrar a ancestralidade negra na música brasileira e difundir os trabalhos autorais realizados pelas artistas nas diversas cenas musicais da capital potiguar, homenageando vozes negras de diferentes gerações do Brasil e da diáspora.

 

Com a proposta de explorar o universo vasto da musicalidade negra brasileira, o show conta com canções da cultura popular, e de artistas como Elza Soares, Bloco Afro Ilê Aiyê e composições das próprias cantoras, o nome “Asè Delas” faz referência ao termo Yorubá “Asè” que significa a boa energia e o princípio vital da existência. O projeto musical traz a potência da mulher negra na música ocupando o lugar de destaque relegado a elas historicamente. 

 

O show terá as participações especiais de Vic Kabulosa, Sâmela Ramos e Sister Mika Black. Abertura acontece com show da Alê Du Black, artista de Areia Branca (RN).

 

TEREZA DE BENGUELA

Realizado em todo o país, em 2022 o Julho das Pretas tem como tema “Mulheres Negras no poder, construindo o bem viver”. “Lembremos da líder quilombola Tereza de Benguela, símbolo de luta e resistência da comunidade negra e indígena, que representava, enfrentando a escravidão por mais de 20 anos. Em seu nome e de tantas mulheres que foram e são importantes para nossa história, é que também seguimos”, disse Pretta Soul, rapper, trancista e organizadora do evento.

 

O Dia da Mulher Negra Latina Americana e Caribenha, comemorado em 25 de julho, reforça a luta histórica das mulheres negras por sobrevivência em uma sociedade estruturalmente racista, misógina, machista, e nos faz refletir sobre a vida dessas mulheres.

 

DESIGUALDADES SOCIAIS

Mais da metade da população brasileira é negra, segundo dados do IBGE, e em especial as mulheres negras protagonizam os piores indicadores sociais do país. De acordo com o Atlas da Violência de 2019, 66% de todas as mulheres assassinadas no país naquele ano eram negras.

 

Além disso, 63% das casas chefiadas por mulheres negras estão abaixo da linha da pobreza, de acordo com a última Síntese dos Indicadores Sociais do IBGE. Contudo, uma vez garantida a vida e superada a miséria, os desafios continuam.

 

Apesar de, pela primeira vez, os negros serem maioria nas universidades públicas, como aponta a pesquisa “Desigualdades Sociais por Cor ou Raça no Brasil” do IBGE, mulheres negras ainda recebem menos da metade do salário de homens e mulheres brancas no Brasil, independente da escolaridade.

 

E são a principal vítima de feminicídio, das violências doméstica, obstétrica e da mortalidade materna, além de estarem na base da pirâmide socioeconômica do país.

 

Esse pode ser considerado um perfil de mulheres que ilustra o reflexo de décadas de escravidão. As regiões Norte e Nordeste são as mais impactadas pelo regime coronelista até os dias de hoje, concentrando um maior número dessa população: no Acre, trata-se do total de 100%, na Bahia, 92% e no estado do Ceará, 94% das mulheres encarceradas são negras.

 

As mulheres negras precisam enfrentar, além do preconceito racial, o de gênero, e aqui fazemos alguns recortes do ser mulher negra cis e mulher LGBT, sobretudo o grupo T, que são alvos de diversas práticas preconceituosas e por vezes violentas, justificam as propositoras do projeto.

 

SERVIÇO:

Julho das Pretas – “Asè Delas”

Data: 28 de julho de 2022

Local: Praça Padre João Maria – Cidade Alta – Natal (RN)

PROGRAMAÇÃO:

14h00 - Abertura: Feira Afro

14h30 - Roda de Conversa: Mulheres Negras no Afroempreendedorismo Potyguar 

15h45 - Trançando Palavras: do Hip Hop as Tranças.

17h00 - Turbante: Beleza, cultura e Ancestralidade

18h00 - Rum Rumpí Lé: oficina e vivência.

SHOWS:

19h00 - Alê Dublack

20h30 - Asè Delas

Participações: Sister Mika Black, Samela Ramos e Vic Kabulosa

22:00 Encerramento