Wellington Duarte

17/10/2020
 
Desemprego chega a 14 milhões de trabalhadores!
 
 
Ao estudar o Capitalismo, no século XIX, Marx afirmava que ao capitalista não interessava o lucro em si, mas a possibilidade que o lucro dava para ele expandir seus negócios. E esse lucro era criado, não pelo fato de que o proprietário do dinheiro ser um sujeito empreendedor e sim pelo singelo fato de que ele encontrou uma mercadoria maravilhosa, capaz de pegar o lucro do capitalista e o expandir: o trabalho. Portanto foi, é e será o TRABALHO o sempre portador dessa força que permite ao empresário expandir seus negócios. Mas o que poucos dizem é que a felicidade do capitalista se dá às custas do trabalhador que, tal qual um cordeiro, apresenta-se no mercado de trabalho para ser DESPELADO, pois nada possui a não ser seu trabalho.
 
As palavras do “profeta maldito” ecoam fortemente nesses dias sombrios, em que um governo desapiedado da condição das pessoas aprofunda o desmonte das relações de trabalho, com uma singela opção : dar preferência a pouco mais de 5 milhões de capitalistas, em detrimento aos mais de 98 milhões de trabalhadores, de acordo com dados do próprio IBGE. Essa opção, já feita em 2016 e aprofundada a partir de 2019, cobra alto preço dos trabalhadores.
 
De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD), do IBGE, em UMA SEMANA, cerca de 700 mil brasileiros engrossaram a fileira dos desempregados, que já chega a 14 milhões de pessoas, derivada, em boa medida, do aumento vertiginoso da informalidade e o recuo do trabalho formal, algo aliás que parece ser um dos objetivos do governo federal, que sonha em total desregulamentação das relações de trabalho.
 
A taxa de informalidade já bateu os 34% dos trabalhadores e a população FORA do mercado de trabalho já chega a mais 73 milhões de pessoas, contra 84 milhões que ainda estão nele, o que revela um país num momento sombrio e delicado, sujeito à uma tensão social cada vez maior e o Rio de Janeiro, que não é um estado pobre, parece ser o melhor exemplo.
 
E enquanto a ladainha da maioria esmagadora dos candidatos a prefeito(a) e vereador(a), permanece no terreno da fuleiragem e da mentira, a Hering anunciava, nesta semana, o fim de suas atividades no RN, comprometendo 22 pequenas fábricas no Seridó. O desemprego dos “colaboradores” será seu legado, engrossando a extensa fileira dessas pessoas em Natal e em todo o estado. 
 
O desemprego é, de fato, a face mais fácil de ser vista da devastadora crise do sistema e basta andar pelas ruas de Natal, Parnamirim e Mossoró, para verificar os efeitos dessa crise e da pandemia. Aliás, é bom que se diga, o Rio Grande do Norte parece ter ERRADICADO A COVID-19, sem precisar da vacina, pois as pessoas estão com suas atividades retomadas e até o uso das máscaras, parece estar com seus dias contados. 
 
E o que isso tem a ver com o desemprego? Simples. Os desempregados não vão se recolher nas suas casas e viver de luz. Eles vão para a informalidade e para a precarização, enchendo as burras das empresas que operam com delivery e tornam-se uma versão moderno do lupemproletariado, uma categoria que Marx criou para designar a camada flutuante do proletariado, situada fora do mundo das relações de trabalho e que agora, convive com a volta de miséria e da fome.
 
E la nave va...