Wellington Duarte

12/12/2021

 

A necessária cautela na leitura de dados econômicos

É muito pedagógico ver como indicadores e números são tratados. Como são coisas frias, números são acoplados às estatísticas e são “lidos” de acordo com o interesse do leitor. Não estou falando de falsificação de números e nem de dados estatísticos, mas estou me referindo à forma como a apropriação de dados estatísticos podem servir a um ou outro propósito.

Nos casos dos dados estatísticos divulgados em meio um processo de pandemia, é necessário observar o peso dessa variável nas estruturas de produção e comercialização, além dos impactos sociais decorrentes dele. Sem essa ressalva podemos, de forma apressada, solta foguetório, comemorando “crescimentos” que, na realidade, apenas revelam que a base utilizada para ter tal dado, o ano de 2020 e até meses anteriores, estão forçosamente “contaminados” pela pandemia.

Dessa forma, embora possamos comemorar o crescimento das atividades econômicas, que de fato revela a retomada, muito tímida ainda, das atividades econômicas, é bom sempre ressaltar que essa recuperação está condicionada pelo que vai acontecer nos próximos meses.

A economia mundial que, ao contrário do se imagina, tem forte influência no seu dia a dia, bastando para isso ver o preço do botijão de gás, da gasolina e dos alimentos, todos eles descontrolados, e que afetam o consumo básico dos mais pobres, que ainda enfrentam o desemprego e a fome.

A recuperação da economia mundial depende muito da economia chinesa e está, embora cresça bem mais que a economia dos países ocidentais, ainda não está dando sinais de pronta recuperação. E a situação dos EUA não é muito boa, tendo que lidar com os problemas estruturais internos, o que mostra sua fúria belicista, já que é a “indústria da guerra” que costumeiramente salva o Grande Império do Norte.

Se nas economias mais desenvolvidas a situação ainda merece atenção, imagine numa economia destroçada, como a nossa. E imagine que, dentro dessa economia destroçada, vivemos num estado que foi formado para favorecer um pequeno segmento, ou seja, a economia do RN sofre do que foi feito no passado e a busca pelo futuro, enfrenta um presente ainda nebuloso.

Por isso é necessário comemorarmos a retomada das atividades econômicas, mas com o devido cuidado para não imaginar que estamos no “novo normal”. Para que nos recuperemos da catástrofe produzida pela economia, ao mesmo tempo em que precisamos reformatar a economia norte riograndense, é preciso que tenhamos um governo no de natureza progressista, como o atual, que “tem um olho no gato e outro no peixe”, ou seja, buscar o crescimento que traga melhorias para a vida dos mais pobres.