Flávio Dino: "Fim precoce do auxílio emergencial pode jogar país no caos"

29/06/2020


"O auxílio emergencial será desativado no momento em que a economia estará mais fragilizada. Isto é uma brutal insensibilidade, uma desumanidade. O fim precoce do auxílio emergencial pode jogar o Brasil no caos social", afirmou o governador do Maranhão, Flávio Dino (PC do B), em entrevista ao UOL.
 
Ele criticou o presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Economia, Paulo Guedes, que anunciaram a extensão do auxílio por apenas mais três meses e a redução de seu valor - que passa de um mínimo de R$ 600 para R$ 500, R$ 400 e R$ 300.
 
"Temos uma contradição gravíssima na medida em que os indicadores econômicos estão se degradando com mais velocidade. No momento em que há desemprego, em que se verifica a desorganização de cadeias de oferta e demanda com a quebradeira de empresas, é que o auxílio emergencial se faz mais necessário", afirma.
 
O governador diz torcer para que "o Congresso Nacional atue e evite esse equívoco do Bolsonaro". E criticou declaração de Bolsonaro de que "como presidente da República, coube a mim apenas mandar dinheiro a estados e municípios, praticamente quase nada além disso". Diz que faltou a ele coordenar o país.
 
Afirma que, como cristão, acredita na conversão das pessoas, mas não na "conversão de Bolsonaro aos cânones da vida democrática republicana". E que o silêncio atual é "apenas um movimento tático dele em relação ao fracasso de sua tentativa de emparedar instituições e até fechá-las". Para Dino, o presidente tentou um "cheque em branco para se transformar em um ditador".
 
Ele avalia que a mudança de comportamento para um "Jair Paz e Amor" vai passar porque Bolsonaro precisaria "tumultuar a democracia para proteger condutas ilegais perpetradas no passado por ele próprio e por aqueles que o cercam". E cita o ex-faz-tudo da família, Fabrício Queiroz, como exemplo.
 
Flávio Dino considera que essa mudança do comportamento do presidente não pode influenciar o comportamento dos Poderes Judiciário e Legislativo. "Não imagino que seja sequer possível cogitar uma espécie de arranjo, uma espécie de trégua, que implique a renúncia às investigações. Porque isso seria incompatível com o sistema jurídico", afirma.

Fonte: LEONARDO SAKAMOTO / UOL