Geração recorde de energia eólica é marco para o RN”, diz presidente da FIERN

16/07/2021


 
 
A produção brasileira de energia eólica, liderada pela região Nordeste e especialmente pelo Rio Grande do Norte, alcançou sucessivos recordes esta semana e levou a fonte a superar em mais de 100% as necessidades de energia elétrica registradas no mercado nordestino. 
 
O marco ocorreu em meio às graves crises hídrica e energética que o país enfrenta e foi comemorado pelo presidente do Sistema FIERN, Amaro Sales de Araújo.  
 
“É, sem dúvida, um marco para a região, que também será fixado na história do Rio Grande do Norte, o estado brasileiro que mais produz energia dos ventos”, disse Sales, também presidente do Conselho Regional do SENAI RN, que abarca o Centro de Tecnologias do Gás e Energias Renováveis (CTGAS-ER) e o Instituto SENAI de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER), referências do SENAI no Brasil para formação profissional do setor e nas áreas de pesquisa, desenvolvimento e inovação em energia eólica, solar e sustentabilidade.  
 
“O Nordeste”, reforça ele, “se tornou independente de produção de energia em meio a esses resultados, com toda a energia consumida sendo gerada a partir de fontes renováveis” - o que evidencia a imagem da região “como solução para o Brasil”. 
 
“Isso mostra um grande diferencial que não tínhamos para atrair novas indústrias e como maior produtor nacional de energias renováveis, o Rio Grande do Norte tem que trazer na essência essa energia para o seu desenvolvimento”, acrescentou ele.  
 
“No passado isso aconteceu com o petróleo e o gás, que não saíram de cena, mas hoje são as energias eólica e solar que viram protagonistas”.  
 
Liderança
 
O ex-secretário de Energia do Rio Grande do Norte e, atualmente, senador da República, Jean-Paul Prates, também comemorou, nas redes sociais, o que chamou de “Nordeste 100% movido pelos ventos”. 
 
Em um post publicado no Instagram, ele relembrou que quando elaborou o primeiro Plano Estadual de Energia para o estado, em 2001, incluiu a energia eólica como fonte e que, já naquela ocasião, projetou que ela não demoraria a alcançar a viabilidade técnica e econômica que traria investimentos, empregos e renda local para o estado.  
 
“Hoje somos líderes nacionais em geração de energia eólica, e ontem (segunda-feira), às 09:28 da manhã, os ventos foram responsáveis por atender 100% da demanda energética de todo o Nordeste. Sou feliz por fazer parte desta história”, observou ele. 
 
Picos
 
Monitoramentos diários realizados pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) apontam “uma sequência inédita” para os números de geração eólica desde a última quinta-feira, 8 de julho, com os resultados alcançados nesta semana levando a fonte a atender a mais de 100% da demanda no Nordeste.  
 
Os últimos picos de geração, de acordo com o balanço mais recente, publicado em 13 de julho, foram registrados às 9h28 de segunda-feira (12) - com 11.715 Megawatts (MW), montante suficiente para abastecer a 106,8% de toda a região no minuto em que foi atingida - e às 21h38 do mesmo dia, alcançando 12.717 MW, ou 105,1% da demanda nordestina por eletricidade no período.  
 
Dados da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica) mostram que o Brasil tem hoje 19,1 Gigawatts (GW) de capacidade eólica instalada, distribuída entre 726 parques eólicos, 80% deles em território nordestino.   
 
A entidade também tem registrado os recordes mais recentes de geração acompanhados pelo ONS, e nesta quarta-feira, perguntou aos seguidores nas redes sociais: “Você sabia que a energia eólica já abastece 98,8% da demanda de energia do Nordeste durante todo um dia?” 
 
Hoje, a energia eólica representa 10,7% na matriz elétrica brasileira, destacando-se como segunda principal fonte, atrás das hidrelétricas. A expectativa é que o setor chegue ao final de 2025 com uma fatia de 13,2%. Essa participação, entretanto, chega a superar esse patamar no período de julho a novembro, quando o país registra a chamada “Safra dos ventos”.