Renisse Ordine

24/12/2020
 
Entrevista com Óscar García Blesa, biógrafo musical
 
 
Recentemente o biógrafo musical, Óscar García Blesa, concedeu a revista Siempre, a qual sou redatora, uma entrevista falando sobre o seu atual livro, VIVE, uma biografia do cantor espanhol Alejandro Sanz. Em entrevista concedida à equipe da revista, Óscar falou sobre a elaboração de VIVE e de como a música o influencia  em sua vida e literatura. 
Óscar é autor de outras biografias como a do cantor Júlio Iglesias, e outros livros:  Papanatas, Placeres culpables e Cintas de Cassete. 
 
1- Oscar, conte-nos sobre a maior paixão da sua vida, profissionalmente falando, e como essa paixão nasceu.
Minha paixão é e sempre foi a música. Desde pequeno, gostava de brincar com os discos dos meus pais e ouvir músicas no rádio. A música sempre esteve presente na minha vida. Nunca trabalhei em nada que não estivesse diretamente relacionado à música.
 
2- Como nasceu #Vive e por que esse nome?
  O livro nasceu no final de 2015. Tivemos a ideia de celebrar os vinte anos de Más (que se cumpriram em 2017) com diferentes projetos, e entre muitas ideias que tínhamos em mente estava a de preparar um livro que contasse a história de Alejandro desde uma perspectiva coral. O título do VIVE é realmente ótimo, ideia 100% do Alejandro. Posso contar um segredo: o primeiro título que propus foi “Si no sabes tú te lo digo yo”…
 
3- Qual foi o maior desafio para preparar #Vive?
 O mais difícil foi ordenar a enorme quantidade de depoimentos que foram coletados de forma que fizessem sentido. A ideia é que todo o livro flua naturalmente e que os “personagens” se intercalarem como se fosse quase uma novela (um romance?) que pudesse ser lido em sequência.
 
4- #Vive conta com inúmeros depoimentos de familiares, amigos e colegas. Com quem você se sentiu mais confortável falando sobre o artista? 
Todos os depoimentos foram emocionantes, impossível escolher um só. Cada um contribuiu com sua versão pessoal da sua relação com o Alejandro e todos somaram ao valor do resultado final, mas a ajuda do seu irmão Jesús foi essencial para poder armar o esqueleto de toda a história. Ajudou-me muito para que eu pudesse ter uma visão panorâmica de Alejandro, especialmente nos primeiros anos da sua vida.
 
5- Quanto à pessoa de Alejandro Sanz te inspirou a embarcar em um desafio dessa magnitude?
Alejandro me inspira sempre, ele é alguém com quem você pode aprender muitas coisas. Quando ele fala, o melhor a se fazer é sentar e ouvi-lo. De uma frase sua lançada ao ar pode ser feita muitas leituras, o que ele fala sempre tem um motivo... Basta saber ouvi-lo.
 
6- Qual é a parte mais memorável do livro para você, Óscar? O que mais te emocionou ao escrever.
 Sem dúvidas toda a parte dedicada a sua infância e a relação com seus pais. Acredito que tem muita verdade na sua relação familiar, é uma história familiar bonita. Gostei muito de escrever sobre “La Loba” e Jesús pai. Escrever sobre o seu  sucesso é relativamente fácil. Eu acho muito mais enriquecedor escrever sobre o caminho que se deve percorrer para alcançar esse sucesso.
 
7- Conta-nos uma anedota sobre aquela época em que você escreveu #Vive
a. Ihh, eu não sei. Foi um processo muito bonito. Bom, me lembro de um dia que estava comendo com dois amigos e meu telefone tocou com um número privado. Atendi e perguntei quem era. “Penélope” me disse. E eu, que nem esperava e nem conhecia nenhuma Penélope, respondi: “Que Penélope?”. E do outro lado escutei “Sou Penélope, Penélope Cruz”. Ligou-me para falar sobre o livro, foi realmente encantadora. Quando terminei, meus amigos me perguntaram com quem eu estava falando por meia hora. Eu não lhes disse a verdade, não teriam acreditado.
 
8- Como é trabalhar com a música e a literatura ao mesmo tempo?
 Uma alegria. São minhas duas paixões, ter a oportunidade de combiná-las é um presente.
 
9- Tem alguma parte que você gostaria de ter publicado e não pode tipo um segredo inconfessável?
 Alejandro não eliminou nada do livro. Leu tudo com atenção e a cada noite, conforme avançava com a leitura, me enviava seus comentários pelo celular. Não há nada que eu gostaria de publicar que não tenha aparecido.
 
10- Você gosta mais de trabalhar em projetos desse tipo à noite ou durante o dia? Quando você se inspira mais?
 Quase todo o livro está escrito durante a noite, é o momento mais tranquilo. Durante o dia acontecem mais coisas, é mais fácil distrair-se, à noite você se transforma 100% em escrita e palavras, e pelo menos para mim saem mais facilmente. 
 
11- No processo necessário de correção, a título de curiosidade, houve muitas modificações ou partes que não era aconselhável publicar?
Nada. Alejandro não excluiu nada do livro. Leu tudo com atenção e a cada noite conforme avançava com a leitura, me enviava seus comentários pelo celular. É um livro puro, sem nenhuma modificação.
 
12- Por que uma música para cada capítulo? 
Recomendar um tema musical para cada capítulo foi uma ideia que passou pela minha cabeça desde o começo, uma forma de dar trilha sonora à leitura... Porque de alguma forma #Vive funciona como um documentário no papel... E os filmes precisam de música.
 
13- Durante a quarentena você nos manteve bem entretidos (você nos divertiu muito) mostrando sua coleção de vinis. Todo mundo está se perguntando. Quantos vinis você tem? E como nasceu a ideia daqueles vídeos diários? 
Quantos eu tenho? hmmm, essa é uma boa pergunta. Para falar a verdade, eu nunca contei, mas eu estaria mentindo se não tivesse uma ideia aproximada. Em casa devo ter uns cinco mil vinis, todos perfeitamente organizados. Eu adoro os discos de vinil. A ideia de colocar música durante a quarentena foi completamente espontânea. Um dia, meu filho e eu nos sentamos para escutar uma música super otimista do Bob Marley e decidimos postar um vídeo. E no outro dia repetimos com outra música… e as pessoas trancadas em casa nos dizia que isso lhes fazia companhia, então, sem pensar, decidimos colocar uma música até o fim da quarentena.
 
14- O que você acha do fenômeno dos fãs?
Me fascina. É impossível entender o sucesso de um artista sem seus fãs. Os fãs são essenciais e é parte fundamental da carreira do artista.
 
15- Que tipo de música é a favorita de um especialista como você?
a. Eu escuto todos os tipos de música. Gosto de qualquer música, de qualquer gênero, que seja capaz de despertar algum sentimento... Ainda que de verdade, de verdade mesmo... O que eu gosto é o rock: Led Zeppelin, AC / DC ou Pearl Jam.
 
16- Finalmente: Como você vê o futuro da música com a realidade que nós estamos tendo que viver? Alguma ideia para ajudar o mundo da cultura?
a. Sou um otimista por natureza, então seguiremos em frente e a música seguirá seu caminho como sempre fez, em outros momentos difíceis. Alguma ideia? Seria bom se as administrações contemplassem uma ajuda real para os milhares de profissionais que se dedicam à cultura e que estão passando por um tempo muito difícil. A cultura é um bem necessário. Música e cultura são essenciais.