Renisse Ordine

22/07/2021
                            Ser um voluntário cultural é lançar sementes 
 
Vivemos em um país em que a cultura ainda não é algo tão popular. A elite ainda resiste e tenta por vários meios entregar o mínimo possível para o povo. Vemos isso diariamente pelos meios jornalísticos e também sentimos na pele. Cultura custa dinheiro. Por isso, o trabalho voluntário é um grande aliado para a ampliação da literatura pelo país. 
 
Acredito ser o trabalho voluntário um valioso recurso que temos em mãos,  ser fraco ou forte,  isso só depende de cada um.  Está no desejo de fazer algo a alguém, colocando o seu tempo e as suas habilidades em prol da transformação social. No sentido de vontade humanitária.
 
Eu prezo muito pela disseminação da cultura, pois como já escrevi em outros textos, em minha casa não havia livros, comecei a minha vida literária em bibliotecas públicas e até hoje o meu maior contato com a cultura acontece em espaços públicos. E igualmente prezo pelo trabalho social, doando um dos grandes amores da minha vida: a literatura.
 
Sabemos que o acesso à cultura não acontece de modo simples, o país não oferece essa oportunidade e também nem todas as pessoas estão preparadas para recebê-la. Acima de tudo é preciso saber tocá-las, como uma varinha de condão, para que o coração se abra para o universo literário. E isso é possível doando o amor que você sente, sem pedir nada em troca. 
 
O voluntariado é um grande processo na vida do ser humano, não perda de tempo, ao contrário, é um ganho. Pertenço a um grupo na cidade em que vivo que me ensina muito a cada semana. O projeto chama-se CLAREANA e surgiu da iniciativa de uma senhora em tirar crianças da rua, oferecendo a elas, um momento para que pudessem aprender atividades diferentes, por meio de pessoas que pudessem dispor de seu trabalho para ensina-las. 
 
E isso começou no quintal de sua casa, aonde uma vez por semana, as crianças vinham para ler, fazer artesanato e claro, também brincar. Sendo este trabalho feito com tanto amor e dedicação que rendeu frutos. Do quintal da casa da dona Yayá, atualmente o projeto recebeu  a oportunidade de usufruir de um espaço público cedido pela prefeitura municipal, de modo a acolher as crianças e suas famílias, para que evoluam juntas. 
 
Para fazer isso, só lhe bastou a vontade de fazer acontecer. Para nós que amamos a literatura, a leitura, o cheiro dos livros, e percebemos os seus benefícios em nossa vida, não deveríamos permitir que ele permanecesse somente dentro de nós. Dissemine-o, doando as suas experiências, demonstrando o quanto a cultura e a leitura é algo tão essencial quanto o respirar.  
 
Para que a respiração flua por nosso corpo é preciso que todos saibam onde está o seu melhor ar, e isso só o conhecimento é capaz de ajudar. 
 
Ser voluntário da cultura é dar asas aos livros, é devastar a ignorância dos pensamentos para que o campo do conhecimento se amplie. Além disso, é plantar sementes...