Bolsonaro desrespeita isolamento e participa de ato pró-governo em Brasília

15/03/2020


 
Depois de ter feito pronunciamento em rede nacional de televisão para desestimular os atos deste domingo (15) em função da propagação do novo coronavírus no país, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) deixou o Palácio da Alvorada de carro e seguiu para a Esplanada dos Ministérios, segundo informações da Folha de S.Paulo.
 
O presidente não tinha agenda oficial para este domingo e estava em isolamento no Alvorada depois de ter recebido, na sexta-feira (13), resultado negativo para a Covid-19.
 
“Manifestação não é minha; é espontânea do povo”, disse Bolsonaro em transmissão ao vivo do Palácio do Planalto. Separado por duas grades, Bolsonaro desceu para cumprimentar apoiadores e segurou camisas e bandeiras.
 
Mais cedo, o presidente voltou a endossar as manifestações em suas redes sociais ao divulgar uma série de vídeos dos atos que ocorrem em cidades como Belém (PA), Brasília (DF), Salvador (BA), Ribeirão Preto (SP) e Volta Redonda (RJ).
 
Nos vídeos, alguns manifestantes de verde e amarelo aparecem usando máscaras. Em algumas capitais, como Rio de Janeiro e Brasília, os governadores proibiram aglomerações com mais de 100 pessoas como medidas preventivas contra a propagação do novo coronavírus. Em todo o país, foram cancelados festivais de música, de cinema e de teatro e outros grandes eventos.
 
Deputados federais apoiadores do presidente comparecem aos atos em várias cidades. O deputado Marco Feliciano (Podemos-SP) esteve em Ribeirão Preto, Eder Mauro (PSD-PA), em Belém e Bia Kicis (PSL-DF), em Brasília.
 
Na semana passada, em Boa Vista (RR), o presidente incentivou a população a participar dos atos, chamados por ele de “um movimento de rua espontâneo”. Depois, frente ao avanço do coronavírus no Brasil, Bolsonaro recuou e sugeriu a apoiadores que remarcassem os atos para outra data. “Já foi dado um tremendo recado para o Parlamento”, ponderou o presidente.
 
 
 
 
 
Pautas
As manifestações foram chamadas inicialmente de “dia do foda-se”. Apoiadores do presidente passaram a convocar um ato do dia 15 de março em defesa do presidente após as declarações do ministro Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional) de que o Congresso estaria chantageado o Planalto.
 
Em uma conversa com os ministros Paulo Guedes (Economia) e Luiz Eduardo Ramos (Governo),  a respeito do orçamento impositivo, Heleno disse: “Nós não podemos aceitar esses caras chantagearem a gente o tempo todo. Foda-se”. O áudio vazou em live gravada e divulgada pela equipe do próprio presidente durante cerimônia de hasteamento da bandeira, em frente ao Palácio da Alvorada.
 
Desde então, o tom de convocação da manifestação passou a ser de fortes críticas ao parlamento, com ataques pessoais a Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Davi Alcolumbre (DEM-AP) e ofensivas institucionais contra a Câmara e o Senado. Em linhas gerais, as convocações do ato defendem que o parlamento tem agido contra as tentativas do Planalto de implementar projetos benéficos ao país.
 
Outra tônica dos atos é o ataque ao Supremo Tribunal Federal (STF), o que ganhou força depois que o ministro Celso de Mello criticou o presidente da República por ter enviado vídeos em grupos de WhatsApp convocando a população para ir às ruas contra o Congresso e o STF. O decano da corte alegou que o presidente poderia estar cometendo crime de responsabilidade ao “transgredir a supremacia político-jurídica da Constituição e das leis da República”.

Fonte: Flávia Said / Congresso em Foco