Artista e pesquisadora potiguar é aprovada em programa Emergenyc em Nova Iorque

02/05/2021


 
 
Carolina Teixeira, artista, e pesquisadora potiguar, doutora em Artes Cênicas pela UFBA, foi aprovada como aluna no Programa EMERGENYC sediado em Nova Iorque- EUA, que lançou sua edição 2021, pela primeira vez em formato online devido à situação de Pandemia. 
 
O programa EMERGENYC é uma incubadora de artistas-ativistas interessados em desenvolver a sua voz criativa, explorando as intersecções da arte e do ativismo, e ligando-se a uma próspera comunidade de profissionais independentes - a maioria deles POC, mulheres, e pessoas LGBTQIA+. 
 
Lançado pela primeira vez em 2008, o EMERGENYC era vinculado ao Instituto Hemisferic , uma das maiores instituições de pesquisa em Estudos da Performance no mundo. Tornou-se um programa independente e neste ano conta com a parceria com a BAX/Brooklyn Arts Exchange & Abrons Arts Center.
 
O Programa EMERGENYC oferece vários pontos de conexão entre arte e ativismo, dando prioridade ao processo, descoberta e reflexão, e promovendo um espaço corajoso para a experimentação, assunção de riscos e construção de comunidades. 
 
Pela primeira vez o programa está recebendo uma artista brasileira que traz a discussão sobre o fenômeno da Deficiência no campo da Performance, por meio do reconhecimento internacional de mais de 2 décadas de um trabalho que envolve educação, artes da cena e, em especial, a utilização da linguagem da Performance como uma prática política do corpo.
 
“Entre os 24 artistas aprovados em todo o mundo, fui a única artista selecionada que vive no Brasil, juntamente com a amiga Pêdra Costa, antropóloga e artista brasileira reconhecida internacionalmente, radicada em Berlim e que também viveu parte de sua vida em Natal e que gentilmente me falou sobre a seleção do programa”, explica Carolina.
 
“Para mim é o reconhecimento de meu trabalho em nível internacional e também uma oportunidade para legitimar os corpos com deficiência para além dos discursos guettificantes, assim como para  confrontar  a desvalorização que vivemos no Brasil e, em especial aqui no Nordeste: porque nós pessoas com deficiência e em especial mulheres, somos verdadeiras sobreviventes em um campo ainda marginalizado pelos territórios ‘elegidos’ da A-rte, sobretudo pela dificuldade que o país ainda preserva por uma incapacidade de aprofundamento acerca da pesquisa e do projeto estético transignificador que envolve a criação artística e a Deficiência lugar que em minha práxis artística foi é e sempre será terreno de conhecimento, apropriação e enfrentamento”, afirma.
 
Carolina investiga o campo dos Estudos da Deficiência e a presença dos corpos com deficiência na cena contemporânea no Brasil e no exterior. Em seus 26 anos de carreira dedicados à Deficiência enquanto campo de conhecimento estético e acadêmico, atuou como bailarina, coreógrafa e diretora da Roda Viva Cia de Dança. Criou para companhias brasileiras e estrangeiras. Trabalhou como pesquisadora na Oberlin College em Ohio (US). É artista independente e consultora artístico-educacional em Estudos da Deficiência e acessibilidade estética atuando em instituições públicas e privadas e comunitárias do país. É autora do livro Deficiência em Cena (2011).