Conheça Ana Júlia, a estudante de 16 anos da EAJ que vai para Harvard nos EUA

13/08/2021

Por: Jessyanne Bezerra
Foto: Cedida/Acervo Pessoal

 

Conheça Ana Júlia, a estudante de 16 anos da EAJ que vai para Harvard, EUA.

A natalense Ana Júlia Santos Lopes, de 16 anos, foi classificada para participar da Harvard Model United Nations. A conquista veio ao ganhar o bronze no 1º Torneio Brasileiro de Debates do Ensino Médio, na competição participaram 158 estudantes de 25 estados do Brasil.

A estudante da Escola Agrícola de Jundiaí (EAJ), Ana Júlia é a única potiguar que compõe o Clube de Relações Internacionais Sérgio Vieira de Mello (CRISVM), grupo de relações internacionais construído e gerenciado por estudantes do Instituto Federal de Pernambuco (IFPE): Sâmia Freitas, Ryan Paiva, Júlia Moura, Welton Felix e Suzana Brito. “Vou estar lá em Boston, com a bandeira do estado do Rio Grande do Norte e representando todo mundo”, afirmou Júlia.

A vaga para simular em uma das mais prestigiadas universidades do mundo veio após sete meses de preparação. Agora, a estudante da região metropolitana vê sua vida mudar por conta das simulações. “Eu realmente sinto que esse é o meu lugar no mundo, é aqui que eu deveria estar e é aqui que devo estar”, declarou Ana Júlia e acrescentou “simular, é, a princípio, enxergar em você, a mudança que você quer ver no mundo”.

Além disso, Júlia carrega outros méritos das sete simulações em que participou: foi escolhida como melhor delegada, recebeu três menções honrosas e uma menção oral. “Quando ganhei minha primeira premiação, que foi uma menção honrosa, na terceira simulação, fiquei muito feliz pois era na maior simulação da América Latina”, afirmou a estudante.

A Harvard Model United Nations (HMUN) é uma simulação de relações internacionais que será realizada em Boston, nos EUA, e acontece anualmente para alunos do ensino médio do mundo todo. Sendo uma instituição acadêmica tradicional, a simulação segue o modelo da Organização das Nações Unidas (ONU) promovendo a experiência mais próxima da realidade no âmbito das relações internacionais. Nesse critério, os alunos assumem os papéis de líderes mundiais e tomam decisões no cenário mundial.

Os participantes também encontram na HMUN uma oportunidade para praticar as habilidades em oratória, liderança, elaboração de soluções inovadoras e criativas. “Quero passar essa sensação de desenvolvimento, de estar evoluindo, conhecendo mais sobre o mundo e melhorando outros pontos como liderança, planejamento e oratória”, declarou Júlia.

É importante ressaltar que a avaliação que os estudantes enfrentaram para a aprovação, foi a elaboração de quatro redações em inglês, enviadas diretamente para responsáveis em Harvard.

As simulações costumam acontecer da seguinte forma: os participantes representam um país, chamado de delegação, em uma reunião de um dos comitês da ONU (por exemplo, representante do Brasil no comitê da Unesco). Os temas abordados nesses modelos são os mesmos dos fóruns internacionais reais: conflitos armados, direitos humanos, política internacional, aquecimento global, etc.

Os delegados, representantes de suas respectivas delegações, são responsáveis por simbolizar a política interna e externa do país, sua economia, relações com outros países, suas populações e todos os pormenores acerca dele. “Já representei o Brasil em uma Organização Mundial da Saúde que o tema da problemática era: a distribuição da vacina para países em desenvolvimento”, declarou Ana Júlia.

É uma oportunidade para esse estudante descobrir como os conteúdos de história e geografia, por exemplo, têm conexão estreita com os acontecimentos atuais e com seu próprio cotidiano. Além disso, é uma ótima chance de ensinar relações internacionais e conceitos como política e civismo, fundamentais para pessoas de qualquer idade. “Você pode falar sobre política, sobre economia, ter esse protagonismo e você pode ser sim um jovem líder e chegar em Harvard tendo esse potencial de liderança”, afirmou a estudante.

Sobre essa experiência, Júlia ressaltou sua importância: “As simulações da ONU são a minha vida, eu realmente me ressignifiquei como pessoa ao me encontrar como delegada. Simular é estar dentro de um ambiente de pluralidade de ideias e saber que, mesmo com todo o contraste de opiniões, a sua será ouvida”.

Além disso, Júlia ressalta que no início não foi fácil, precisou superar o medo, a falta de incentivo, a ansiedade e a si mesma: “Vivemos nesse mundo de competitividade, mas eu queria mesmo que as pessoas olhassem para essa oportunidade como uma forma de chegar lá, de ver que é possível e de abrir portas para outras meninas e pessoas que gostam desse mundo” e acrescentou “nas simulações eu encontrei um espaço seguro para expor minhas opiniões e poder me expressar”.

Sobre o futuro, a estudante confessou que deseja levar esse conhecimento para outras instituições no Rio Grande do Norte e transformar a vida dos outros estudantes com esse sonho que se tornou realidade. “Eu pretendo fundar um clube de relações internacionais na EAJ, justamente por ter esse amor pelas simulações e por querer que elas mudem a vida de outras pessoas do mesmo jeito que mudou a minha”, declarou a estudante.

A conquista de Júlia abre portas para jovens que sonham em exercer papéis de liderança e protagonismo na sociedade, com o intuito de mudar o mundo a partir de si mesmo. Aos 16 anos, a jovem estudante não só mudou a própria vida, como iniciou um processo de abertura de oportunidades para outros alunos.