Entrevista com o pesquisador Kleiton Cassemiro sobre “sociedade da anormalidade”

03/06/2020

Por: Andrezza Tavares
Foto: Kleiton Cassemiro do Nascimento

     Entrevista concedida por Kleiton Cassemiro do Nascimento, Engenheiro civil, professor do IFRN, Doutorando do PPGEP/IFRN, ao portal de jornalismo Potiguar Notícias. O professor e pesquisador fala sobre a pandemia, sociedade anormal e desigualdade social.

1. Em sua avaliação, que exercícios emocionais diários devemos praticar durante o distanciamento social que estamos vivemos?

      Crer, ter fé, perseverar. Esvaziar para se encontrar dentro de si, por mais que o que encontremos lá seja difícil de aceitar. Todos estes, e outros mais, são exercícios diários que muitos têm feito durante esse distanciamento social que vivemos. Na tentativa de seguir com uma vida que não havíamos previsto, mas que bateu a porta de todos, sem distinção de raça, credo, classe social ou idade.

2. O anoitecer tem sido um dos momentos mais tensos do dia para muitos. A que você atribui as inúmeras queixas de sintomas físicos e emocionais que são sentidos?

      Durante a pandemia noites em claro têm sido, para alguns, o momento de poder refletir e enxergar, de maneira mais clara, o reflexo da sociedade que foi negado por muito tempo por uma grande parcela da população. Enquanto que para outros, essas noites, tem surgido como o único momento de sonhar com dias melhores, com o possível alimento do dia seguinte e até mesmo com um lugar onde se possa deitar e sonhar...

3. Para você a dificuldade de produzir sonhos tem relação com o enxergar das desigualdades e com as incertezas?

     São muitas realidades, com uma distância abissal entre si, que se cruzam agora, incomodando aqueles que geralmente fingiam não ver. Realidades estas que nos mostram de fato “a vida como ela é”, além de derrubar diversas máscaras fazendo-nos ver as pessoas como elas são, o que realmente pensam e guardavam dentro de si com medo de expor.

4. Em seu pensamento, como sairemos do contexto da pandemia?

     Poucos sairão os mesmos depois dessa pandemia pois ela promove incertezas, reajustes internos e externos, medo e insegurança ao sentir bater no peito os ventos da “nova anormalidade”.

5. O que você considera sociedade da anormalidade?

     Sociedade da anormalidade, pois normal nunca fomos, se considerarmos a tamanha desigualdade que se evidencia mais nestes dias de isolamento. Achar que vivemos uma “nova normalidade” seria reconhecer que tudo antes era normal, que milhões de pessoas sem CPF era algo normal, que falta de saneamento, falta de moradia, renda mínima, alimento era algo normal, que falta de conectividade, de educação era algo normal.

6. Uma última mensagem para os distintos leitores do Jornal Potiguar Notícias

     Apesar disso tudo, das incertezas, dos desafios e reajustes, creio que possamos, no fim da pandemia, sair melhores do que entramos. Ainda afastados, mas mais atentos e cuidadosos uns com os outros. Tenho fé que no fim da pandemia saberemos distinguir bem o que é normal do que é anormal. No fim da pandemia seguirei perseverante de que poderemos instituir, por meio desta distinção, os caminhos para alcançarmos uma possível normalidade, uma normalidade real, com a qual possamos conviver, longe de incorrermos novamente no risco de sermos pegos de surpresa quando uma nova pandemia chegar.

 

Nota: Esta notícia publicada no Portal de Jornalismo Potiguar Notícias integra o repertório de publicações do Projeto pluri-institucional intitulado “Diálogos sobre Capital Cultural e Práxis do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) - IV EDIÇÃO”. O Projeto, vinculado a Diretoria de Extensão (DIREX) do campus IFRN Natal Central e ao Programa de Pós-Graduação Acadêmica em Educação Profissional PPGEP do IFRN, articula práxis do campo epistêmico da Educação a partir de atividades de ensino, pesquisa, extensão, inovação e internacionalização com o campo da comunicação social a partir da dinâmica de produções jornalísticas por meio de diversos canais de diálogo social como: portal de jornal eletrônico, TV web, TV aberta, rádio e redes sociais. O objetivo do referido Projeto de Extensão do IFRN é socializar ideias e práxis colaboradoras da educação de qualidade social, de desenvolvimento humano e social por meio da veiculação de notícias em dispositivos de amplo alcance e difusão de comunicação social. Para mais informações sobre o Projeto contacte a coordenadora: andrezza.tavares@ifrn.edu.br.  

 

 

Fonte: Kleiton Cassemiro