Da Argentina, o pesquisador Gabriel Linari fala sobre “humanizar a aula online"

29/06/2020

Por: Andrezza Tavares & Bento Silva
Foto: Gabriel Linari

 

Da Argentina, o pesquisador Gabriel Linari fala sobre “humanização da aula online

     Entrevista internacional concedida por Gabriel Linari ao portal de jornalismo Potiguar Notícias. O entrevistado é psicólogo clínico e psicanalista e  professor da universidade de Buenos Aires, vinculado ao centro de saúde mental, na capital da Argentina. Na entrevista fala-nos da experiência educativa da Argentina sobre a educação ocorrida na modalidade online em tempo de Pandemia. Considera que a implementação tecnológica das aulas na Argentina revelou a necessidade de envolver o corpo e o nome dos sujeitos nos encontros online na tentativa de humanizar o máximo possível a experiência. Apesar de no início ser bastante cético em relação ao ensino online e considerasse o face a face presencial como impossível de substituir, hoje leciona várias aulas online por semana, sente-se confortável, e os alunos, por sua vez, são muito gratos por acompanhar o espaço de ensino. Considera que a instância online dá uma liberdade de elaboração que nos permite sair para conhecer novos conhecimentos que nos levam além dos "isolamentos obrigatórios". A tradução do texto original da entrevista, produzida em idioma espanhol, foi traduzido por Andrezza Tavares. 

1. Como você avalia a atividade docente no contexto da Pandemia da Argentina?

     A atividade docente está em uma nova posição, enquanto os usuários da pandemia nos levam a usar a tecnologia como suporte para a transmissão educacional. É sempre complexo ensinar, como disse S. Freud, quando apontou a educação como uma tarefa "impossível", esse impossível é adicionado a expertise com a tecnologia.

     A transmissão dessa expertise, que na minha prática é um ensinamento que aborda a clínica do sujeito, agora é mediada pelo contato online. Se for uma nova forma de contato, ela será naturalizada e logo testemunhará uma prática. Todos os dias naturalizamos esses encontros, e as salas de aula se tornaram virtualizadas, com zoom, jitsi (aplicativo de sofwaer livre) fones, óculos, whatsapp... levando a encontros cada vez mais normais. A outra escola presencial necessitava da imagem que envolve um corpo e um nome presente.

2. Com objetividade, expresse a sua visão sobre a situação social, econômica e ambiental para o futuro em seu país?

     A pandemia nos dá uma visão que não aventura uma saída precoce pois envolve mudanças sociais dia após dia, a partir de uma lógica de adaptação do ser humano no social.  Estamos nos adaptando a uma vida que nos confronta com uma mudança em todo o mundo. No meu país, a pandemia está em quarentena, onde as medidas de proteção envolvem cuidados pessoais e isolamento social. Como psicólogo clínico e psicanalista continuo acompanhando pacientes de forma online, apoiando situações típicas desse isolamento e continuando as análises contínuas.  A situação econômica é típica de um período de estagnação econômica. Penso que é um bom momento para apelar à solidariedade e ao comportamento dos cidadãos, ajudando os grupos mais carentes e áreas marginais do país. Em referência ao meio ambiente, por um lado, a menor circulação automotiva, melhorias nos alimentos dado o aumento do consumo de produtos domésticos, cuidados pessoais, produzem uma tendência marcante no cuidado com o meio ambiente.

3. Quais transformações você vê no ensino presencial relacionado ao uso de novas tecnologias e ao comportamento social dos alunos em 2020?

       É interessante notar que, embora no início eu fosse bastante cético em relação ao ensino online e considerasse o face a face como impossível de substituir, na medida em que fui lecionando online, me acostumei. Hoje no dia eu ensino várias aulas online por semana, não só me sinto confortável, como acho vários recursos tecnológicos muito válidos para o ensino. Os alunos, por sua vez, são muito gratos por acompanhar o espaço de ensino. Acho que a instância de transmissão nos dá uma liberdade de elaboração que nos permite sair para conhecer novos conhecimentos que nos levam além dos "isolamentos obrigatórios".  

4. A instituição de ensino que você trabalha adotou alguma orientação específica para regulamentar este momento de pandemia?

      A Universidade que trabalho está aprendendo connosco, professores e alunos. Geralmente, plataformas gratuitas são usadas. É uma questão de ter boa vontade e entender que a situação é nova para todos. 

5. Em sua avaliação como os professores estão atravessando a inusitada experiência de aulas remotas?

      Salas remotas estão na tela de um computador. Sugiro que os alunos apareçam em vídeo, embora alguns apareçam apenas com uma foto ou seu nome. É uma maneira de ser pessoalmente, o mais humanamente possível. Claro, nem todo mundo tem um bom wi-fi, você tem que ser paciente e continuar ensinando.

6. É possível narrar experiências exitosas de escolarização que ocorrem neste contexto de isolamento social?

     Faço aulas de pós-graduação em psicanálise há três meses, a experiência é muito boa. Se aprofundou o espaço de escrita e elaboração pessoal. O retorno a partir dos alunos foi excelente e muito participativo, criando um bom vínculo entre os alunos.  Os encontros virtuais são muitos e variados, em alguns casos, principalmente os de professores, geralmente são exaustivos. Ao contrário do espaço com alunos que são muito agradáveis e gratificantes para mim.  

7. Uma mensagem de entusiasmo para a sociedade brasileira?

     Queridos irmãos brasileiros, é uma nova etapa de ensino. "O Impossível" de educar, que Freud apontou, nos chama a continuar no ensino já que o conhecimento e sua transmissão é o caminho para sermos livres em nosso pensamento.

 

Nota: Esta entrevista publicada no Portal de Jornalismo Potiguar Notícias integra o repertório de publicações do Projeto pluri-institucional intitulado “Diálogos sobre Capital Cultural e Práxis do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) - IV EDIÇÃO”. O Projeto, vinculado à Diretoria de Extensão (DIREX) do campus IFRN Natal Central e ao Programa de Pós-Graduação Acadêmica em Educação Profissional PPGEP do IFRN, articula práxis do campo epistêmico da Educação a partir de atividades de ensino, pesquisa, extensão, inovação e internacionalização com o campo da comunicação social a partir da dinâmica de produções jornalísticas por meio de diversos canais de diálogo social como: portal de jornal eletrônico, TV web, TV aberta, rádio e redes sociais. O objetivo do referido Projeto de Extensão do IFRN é socializar ideias e práxis colaboradoras da educação de qualidade social, de desenvolvimento humano e social por meio da veiculação de notícias em dispositivos de amplo alcance e difusão de comunicação social. Para mais informações sobre o Projeto contacte a coordenadora: andrezza.tavares@ifrn.edu.br.  

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Apresentação da entrevista no idioma espanhol conforme encaminhada pelo entrevistado. 

Da mérica Latinareflexiones sobre la educación online en tiempo pandémico

Nombre: Lic. Gabriel Linari

Psicólogo Clínico y Psicoanalista.  Instructor de Concurrentes Psicólogos.  Profesor de Postgrado en Psicoanálisis.  Integrante UBACyT (Grupo de Investigación en Psic.)  Maestrando en Psicoanálisis UBA Psicología.

Instituição: Centro de Salud Mental N°3 “Dr. Ameghino”/UBA Psicología

1.¿Cómo ve la actividad docente en el contexto de la Pandemia?

La actividad docente se encuentra en una posición nueva en tanto que los avatares de la pandemia nos llevan a usar de la tecnología como soporte a la transmisión educativa. Siempre es complejo enseñar, ya lo decía S. Freud, cuando señalaba el educar como una tarea “imposible”, a este imposible se le suma un saber hacer con lo tecnológico.

La transmisión de este saber hacer, que en mi práctica es una enseñanza que aborda la clínica del sujeto, ahora esta mediatizada por el contacto on-line. Si es una nueva forma de contacto, que se va naturalizando y que prontamente dará testimonio de una praxis. Cada día vamos naturalizando estos encuentros, y las aulas se virtualizaron, se fueron zoom, jitsi, goggle, wasapeando… dando lugar a encuentros cada vez más normales. El otro es una imagen que va tomando un cuerpo, un nombre presente.

2.¿Cuál es su visión objetiva ante la situación social, económica y ambiental para el futuro en su país?

La Pandemia nos da una visión que no aventura una salida pronta, lo social va cambiando día a día, a partir de una lógica de adaptación propia de lo humano en lo social. Vamos adaptándonos a una vida que nos enfrenta a un cambio a nivel mundial. En mi país, la pandemia se vive en cuarentena, donde las medidas son de cuidado personal y aislamiento social. Como psicólogo clínico y psicoanalista  continúo la atención de pacientes en forma on-line, dando soporte a situaciones propias de dicho aislamiento y continuando los análisis en curso. La situación económica es propia de un período de estancamiento económico. Creo que es un buen momento para apelar a la solidaridad y a la conducta ciudadana, propiciando ayuda a los grupos más carenciados y zonas marginales del país. En referencia a lo ambiental, por un lado, la menor circulación automotriz, las mejoras en la alimentación dado el mayor consumo de productos de elaboración casera, el cuidado personal,  producen una marcada tendencia en el cuidado del medio ambiente.

3. ¿Qué transformaciones observa en la enseñanza presencial relacionada con el uso de nuevas tecnologías y el aspecto/comportamiento social de los alumnos por causa del aislamiento social obligatorio en 2020?

Es interesante observar que si bien al principio era bastante escéptico a la enseñanza on-line, y consideraba lo presencial como imposible de reemplazar, a medida que fui dando clases on-line, me fui acostumbrado. Hoy en día doy varias clases on-line por semana, no solo me siento cómodo, sino que encuentro muchos recursos tecnológicos muy válidos para la enseñanza. Los alumnos, por su parte, se encuentran muy agradecidos al seguir los espacios de enseñanza. Pienso que la instancia de transmisión nos da a todos una libertad de elaboración que nos permite salir al encuentro de nuevos saberes que nos llevan más allá de los “aislamientos obligatorios”.

4.¿Qué orientaciones han sido dadas a las instituciones de enseñanza para  su implementación ante las contingencias provocadas por la pandemia? ¿Usted está de acuerdo con todas esas orientaciones? Caso no, explíquenos.

Las instituciones que habito, están aprendiendo con  nosotros, docentes y alumnos. Generalmente, se usan plataformas gratuitas. Es cuestión de tener buena voluntad y comprender que la situación es nueva para todos.

5.¿ En su evaluación de cómo los maestros están pasando por esta experiencia inusual de clases remotas ?

Las aulas remotas, son en la pantalla de una pc. Les sugiero a los alumnos que aparezcan en video, aunque algunos aparecen solo una foto o su nombre. Es una forma de estar en persona, lo más humanamente posible. Claro que no todos tienen buena wifi, hay que tener paciencia y seguir en la enseñanza.

6. ¿Es posible narrar experiencias exitosas de escolarización que ocurren en este contexto de aislamiento social?

Hace tres meses que doy clases de postgrado en psicoanálisis, la experiencia es muy buena. Se profundizó el espacio de escritura y elaboración personal. Las respuestas de los alumnos fueron excelentes y muy participativas, creando un buen vínculo entre alumnos. Las reuniones virtuales son muchas y variadas, en algunos casos, principalmente las que son de docentes, suelen ser agotadoras. A diferencia de los espacios con alumnos que me son muy gratas.

7. ¿Un mensaje de entusiasmo para la sociedad brasileña?

Queridos hermanos brasileros, es una nueva etapa de enseñanza. “Lo imposible” de educar que señalaba Freud nos convoca a seguir en la enseñanza, dado que el saber y su transmisión, es la forma de ser libres en nuestro pensamiento.

 

 

Fonte: Gabriel Linari