Na Itália, abertura das escolas pós isolamento!!!

04/07/2020

Por: Andrezza Tavares (IFRN) & Bento Silva (Universidade do Minho)
Foto: Sandra Bandeira Nolli

Entrevista com Sandra Bandeira Nolli:Da Itália, reflexões sobre a abertura das escolas pós isolamento: no recomeço, a esperança é conseguir garantir uma escola de sonho”

Entrevista internacional concedida por Sandra Bandeira Nolli, jornalista e docente especialista no campo das Metodologias de Ensino Fundamental I e II, diretamente da Itália, ao portal de Jornalismo Potiguar Notícias. A entrevistada fala direto da redação de jornalismo na Itália na região da Lombardia, província de Bréscia, foco do coronavírus. Este texto é a transcrição da sua fala, em áudio, onde a jornalista e professora reporta sobre “a reabertura das escolas italianas” ressaltando o quadro nacional polêmico com manifestações e com preocupações pedagógicas relevantes.  Para o recomeço, a esperança é “conseguir garantir uma escola de sonho: com lições ao ar livre, espaços dedicados a talentos individuais, desenvolvimento de habilidades e competências, em contato com a natureza, lições em teatros, museus e jardins”. Ao final da apresentação da entrevista no idioma português, segue também a entrevista no idioma italiano traduzida por Justiana Fernandes Damasceno.

1. Quais as indicações contidas no plano escolar para o próximo ano letivo 2020-2021, de retomada das escolas italianas, previsto para iniciar no dia 14 de setembro?

Eu vou comentar sobre algumas das indicações: os turnos serão diferenciados; as aulas também serão aos sábados e online; e, também, de acordo com o disposto na lei 92 de 2019, chega a disciplina de educação cívica nas escolas que será obrigatória em todos os graus de ensino com 33 horas por ano.

2. Quais os conteúdos que a educação cívica obrigatória nas escolas irá contemplar?

São três os eixos focalizados para estudo: primeiro, a constituição do desenvolvimento sustentável; segundo, a cidadania digital que tem como objetivo reconhecer os direitos e deveres e incentivar a participação dos educandos na vida cívica, cultural e social; e terceiro, a conscientização para a proteção do patrimônio e a valorização do território.

3. Qual o papel dos gestores escolares no contexto do retorno das aulas?

Os diretores das escolas terão a autonomia para decidir as modalidades de estudo.

4. Sobre a docência, quais as recomendações para os professores?

Não há menção sobre a obrigação do uso de máscaras, nem das estruturas de acrílico, ou divisórias entre os alunos. Na educação infantil, os educadores não poderão usar máscaras para não assustar as crianças. Os educadores não poderão usar proteções que ocultam o rosto, apenas o uso de viseiras para os professores dos cursos de enfermagem.

5. Sobre a docência para o ensino médio, quais as recomendações para os professores?

Está prevista a organização das salas com vários grupos de estudos, composta de alunos de diferentes turmas e idades. O ensino à distância permanecerá apenas para os alunos do ensino médio onde as oportunidades tecnológicas, a idade e as habilidades permitem aprender online. As cantinas estão confirmadas, embora ainda seja necessário entender como serão organizadas.

6. Como as comunidades escolares têm recebido tais diretrizes, com protocolos de retorno diferentes dos que percebemos no retorno das aulas presenciais em outros países, como por exemplo na Coreia do Sul e na China?

Os pais, os professores e alunos saem às ruas e há grande mobilização nacional em 60 praças Italianas, incluindo sindicatos e associações que pedem prioridade à escola e abertura sem redução de tempo e retirada das diretrizes. A ministra da educação solicitou ao governo um bilhão a mais para a criação de espaços adicionais e novas contratações de professores.

7. O que apontam os pesquisadores e técnicos de educação na Itália sobre as problemáticas psicopedagógicas para o retorno escola italiana?

Eles estão preocupados refletindo sobre o modo de recomeçar. Segundo eles, são dois pontos de partida importantes e esquecidos relacionados às novas gerações e à psicologia. Baseando-se nos conhecimentos enunciados durante a pandemia, como o tédio e o tempo não estruturado, levaram à erosão da criatividade, paixões e talentos.

A emergência trouxe oportunidade que, segundo os pesquisadores, não podem ser desperdiçadas, por exemplo: aulas ao ar livre, o contato com a natureza, a formação de pequenos grupos para momentos de reflexão, ampliação da atenção individual, vivências de experiências no próprio território, redução de programas e horários continuados, e fuga da dinâmica totalizadora da escola, entre outros.

8. A produção de conhecimento sobre ciências da educação nas universidades italianas tem colaborado com orientações para o enfrentamento do retorno das aulas?

As Universidade têm colaborado com o apontamento sobre três riscos que devem ser evitados: o primeiro, é a máscara que impede a leitura e a expressão emocional que envia também as crianças e aos jovens uma mensagem muito perigosa de não liberdade, a sensação de não poder falar, nem respirar, além do medo de tudo que vem de fora. O segundo, é a necessidade de distância física que também leva a sérias consequências,  especialmente nas fases da vida em que a identidade é construída. O terceiro, é o uso intenso de tecnologia que impede a percepção sensorial e substitui a dinâmica de processamento profunda.

Então, o recomeço será conseguir garantir aquela “escola de sonho”: com lições ao ar livre, espaços dedicados a talentos individuais, desenvolvimento de habilidades e competências, em contato com a natureza, lições em teatros, museus e jardins.

 

Nota: Esta entrevista publicada no Portal de Jornalismo Potiguar Notícias integra o repertório de publicações do Projeto pluri-institucional intitulado “Diálogos sobre Capital Cultural e Práxis do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) - IV EDIÇÃO”. O Projeto, vinculado à Diretoria de Extensão (DIREX) do campus IFRN Natal Central e ao Programa de Pós-Graduação Acadêmica em Educação Profissional PPGEP do IFRN, articula práxis do campo epistêmico da Educação a partir de atividades de ensino, pesquisa, extensão, inovação e internacionalização com o campo da comunicação social a partir da dinâmica de produções jornalísticas por meio de diversos canais de diálogo social como: portal de jornal eletrônico, TV web, TV aberta, rádio e redes sociais. O objetivo do referido Projeto de Extensão do IFRN é socializar ideias e práxis colaboradoras da educação de qualidade social, de desenvolvimento humano e social por meio da veiculação de notícias em dispositivos de amplo alcance e difusão de comunicação social. Para mais informações sobre o Projeto contacte a coordenadora: andrezza.tavares@ifrn.edu.br.  

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Transcrição da entrevista na íntegra para o idioma Italiano 

Tradutora Justiana Fernandes Damasceno

Intervista a Sandra Bandeira Nolli: "Dall'Italia, riflessioni sull'apertura delle scuole dopo l'isolamento"

Intervista internazionale di Sandra Bandeira Nolli, giornalista e Dottoressa in Pedagogia specializzata nel campo delle metodologie dell'istruzione elementare I e II, direttamente dall'Italia, Del Giornale Potiguar Potiguar Notícias. L'intervistato parla direttamente dalla redazione giornalistica in Italia, nella regione della Lombardia, in provincia di Brescia, focus del coronavirus. Il giornalista e insegnante riporta "la riapertura delle scuole italiane", evidenziando la controversa situazione nazionale, con manifestazioni e preoccupazioni pedagogiche rilevanti. 

1. Quali sono le indicazioni contenute nel piano scolastico previsto per il 2020-2021 per la ripresa delle scuole italiane il 14 settembre?

Commenterò alcune delle indicazioni: i turni saranno differenziati; le lezioni anche ai sabati ed online; secondo le disposizioni della legge 92 del 2019, l'educazione civica arriva nelle scuole, che sarà obbligatoria in tutti i livelli di insegnamento con 33 ore all'anno.

2. Quali contenuti contemplerà l'educazione civica obbligatoria nelle scuole?

Ci sono tre obiettivi focalizzati sullo studio: 1) la costituzione dello sviluppo sostenibile, 2) la cittadinanza digitale che mira a riconoscere i diritti e i doveri ed incoraggiare la partecipazione degli studenti alla vita civile, culturale e sociale 3) la consapevolezza per la protezione del patrimonio e la valorizzazione del territorio.

3. Qual è il ruolo dei dirigenti scolastici nel contesto del ritorno a scuola?

I direttori avranno l'autonomia di decidere le modalità di studio.

4. Per quanto riguarda l'insegnamento per i bambini nell'educazione della prima infanzia, quali sono le raccomandazioni per gli insegnanti?

Non si fa menzione dell'obbligo di usare le maschere per evitare di spaventare i bambini, non si fa menzione di strutture acriliche, non si fa menzione di separazioni tra gli studenti della prima infanzia. In altre parole, gli educatori non potranno utilizzare schermi di protezione facciali. Si prevede solo le visiere per gli infermieri nella scuola.

5. Per quanto riguarda l'insegnamento per il liceo, quali sono le raccomandazioni per gli insegnanti?

Si prevede l’organizzazione delle aule con diversi gruppi di studio composti da studenti di diverse classi e età. Lo studio alla distanza rimarrà solo per gli studenti delle scuole superiori in cui opportunità tecnologiche, l’età e le competenze consentono loro di imparare online. Le mense sono confermate anche se è ancora necessario capire come saranno organizzate.

6. In che modo le comunità scolastiche hanno ricevuto tali linee di guida con protocolli di ritorno differenti da quelli che abbiamo percepito nel ritorno dalle lezioni in Cina, ad esempio?

Genitori, insegnanti e studenti escono alle vie. C'è una grande mobilitazione nazionale in 60 piazze italiane, tra cui sindacati e associazioni che chiedono priorità alla scuola e aperture per la riduzione dei tempi e il ritiro delle linee guida. Il ministro della pubblica istruzione ha chiesto al governo un miliardo extra, per la creazione di spazi aggiunti e nuove assunzioni di insegnanti. 

7. Cosa sottolineano i ricercatori e tecnici dell’educazione in Italia sui problemi psicopedagogici per il ritorno à scuola italiana?

Sono preoccupati in riflettere come ricominciare. Secondo loro, sono due punti di partenza importanti e dimenticati, legati alle nuove generazioni e alla psicologia. Sottolineano l'importanza di espandere gli studi accademici sulla noia, il tempo non strutturato, la creatività, passioni e talenti.

Sottolineano inoltre che le emergenze hanno portato le opportunità da non perdere, ad esempio: lezioni all'aria aperta, il contatto con la natura, la formazione di piccoli gruppi per momenti di riflessione, espansione dell'attenzione individuale, esperienze di conoscenze nel territorio stesso, riduzione di programmi e orario continuato, tra l'altro, la fuga dalla dinamica totalizzante alla scuola.

8. La produzione di conoscenze sulle scienze dell'educazione nelle università italiane ha collaborato con le linee guida per far fronte al ritorno delle lezioni?

Le università hanno collaborato nel sottolineare tre rischi che devono essere evitati: il primo è la maschera che impedisce la lettura e l'espressione emotiva che invia anche a bambini e ai ragazzi un messaggio molto pericoloso di non libertà, la sensazione di non poter parlare, né di respirare, oltre alla paura di tutto ciò che viene dall'esterno. Il secondo è la necessità di una distanza fisica che porta anche a gravi conseguenze e soprattutto nelle fasi della vita in cui è costruita l'identità. Il terzo è l'uso intensivo della tecnologia che impedisce la percezione sensoriale e sostituisce la profonda dinamica di elaborazione.

Quindi, la ricerca nel campo dell'insegnamento rafforza la necessità di un nuovo inizio che assicuri che la base delle scuole sia: lezioni all'aperto, spazi dedicati ai talenti individuali, sviluppo di abilità e competenze, contatto con la natura, lezioni in teatri, musei e giardini.

 

 

 

 

Fonte: Sandra Bandeira Nolli