Homofobia ou agressão à liberdade de expressão?

01/11/2021

Por: Otávio Albuquerque
Foto: istoe.com.br

 

Na última quarta-feira, em entrevista ao Canal Pilhado, comandado pelo jornalista Thiago Asmar, o jogador de vôlei Maurício Souza falou pela primeira vez depois da repercussão negativa de suas declarações supostamente homofóbicas, as quais culminaram na sua demissão do Minas Tênis Clube, agremiação que defendia. O atleta analisou as consequências de suas postagens nas redes sociais, sobretudo a que discorreu sobre a bissexualidade do novo Superman.

 

De forma contundente, Maurício ratifica que, apesar das sanções públicas que vem sofrendo, não deixará de defender os seus princípios e que vai seguir apontando os problemas que enxerga no país. "Vou continuar sendo da mesma forma, não vou mudar. Sempre coloquei (nas redes sociais) meus valores, o que eu acreditava. Desde que eu era ninguém, eu sempre fiz isso. Eu não vou mudar para agradar ninguém. Vou postar o que acho importante, o que acredito, o que acontece no país", ressaltou.

 

Perguntado se permanecerá jogando no Brasil, principalmente depois da exposição a qual está sendo submetido por parte da imprensa e de grupos militantes, o jogador salienta que deseja voltar às quadras, mas pretende atuar fora do país. "Meu empresário já tem alguns times em vista, já estão em negociação. A galera pode ficar sossegada, daqui alguns dias estou em outra equipe", declarou Maurício. 

 

No que concerne à sua relação com seu parceiro de seleção brasileira, Douglas Souza, que é homossexual assumido e o criticou fortemente após os seus comentários, Maurício preferiu adotar um tom diplomático, exaltando os atributos técnicos do colega. "Não tenho nada contra ele, é um jogador fantástico e tem um futuro perfeito pela frente”, disse

 

Em áudio vazado, Elói Lacerda de Oliveira Neto, diretor de vôlei masculino do Minas Tênis Clube, afirmou que só demitiu Maurício Souza para proteger o clube e o próprio atleta da perseguição. O dirigente classifica as comunidades LGBTQIA+, as quais pressionaram por punições contra o atleta, como "radicais", além de exaltar que o central não é homofóbico. "Temos que ser proativos. Essas comunidades radicais são ativas. Eles foram na presidência da Melitta na Alemanha, na Fiat na Itália, e nós ficamos literalmente rendidos. Havia milhares de manifestações contra Minas, contra Mauricio. Ele não foi mandado porque ele é homofóbico, ele não é homofóbico. A declaração dele é pessoal dele. Ele foi mandado embora para a proteção dele e para a proteção do Minas", pontuou.