Cefas Carvalho

13/03/2019
 
O "mimimi" do homem-branco-hétero-40/50 anos-classe média alta
 
 
Cada vez percebo mais que os amigos, virtuais ou reais, naquele padrão homem-branco-hétero-40/50 anos-classe média ou alta, que criticam o suposto "mimimi" dos outros (geralmente feministas, LGBTs, negros etc) são,,, justamente os que mais me alugam olhos e ouvidos com chorumelas que hoje "o mundo está chato", "a música é horrível", "os jovens estão perdidos", "as mulheres estão esquisitas", ou seja... mimimi.
 
É que mimimi no do outros é refresco, né? E o homem padrão brasileiro é realmente muito chato. Quer ter razão em tudo, falar toda hora, mesmo sobre o que não sabe. E sempre tem aquela nostalgia sobre os "velhos tempos", como já escrevi aqui nesse espaço. Tudo "antes" era melhor; músicas, filmes, dança, futebol, Fórmula 1, mulheres etc etc etc.
 
Nem vou analisar essa nostalgia eterna do quarentão médio. Apenas registrar minha curiosidade em relação a este perfil masculino sempre achar que os outros é que fazem "mimimi", e o termo em si já não me agrada, me parece depreciativo. Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é, como cantava Caetano Veloso e cada um sabe onde o sapato lhe aperta, já diziam nossas avós. Se tal pessoa ou tal grupo se queixa se uma determinada coisa, não cabe a mim tratar a queixa como "mimimi".
 
Ainda sobre meus contatos com esse perfil homem-branco-hétero-40/50 anos-classe média ou alta, menos mal que no meu caso basta eu dizer que gosto de Pabllo Vittar para os caras já nem falarem mais comigo. Me olham estranho e acabam saindo da mesa ou se calando. "Pontes que queimei/ festas que dancei/ Deixei pra trás", como ela canta. E segue o jogo.