O brincar como meio de intervenção terapêutica na oncologia pediátrica

10/10/2013

Por: Lady Kelly Farias da Silva - Terapeuta Ocupacional da Casa Durval Paiva

Ultimamente, muito se tem falado sobre a importância do brincar para o desenvolvimento infantil. Através de experiências vividas com crianças oncológicas, podemos observar a influência do brincar, e o quanto as crianças transferem as experiências dolorosas para as brincadeiras, estabelecendo assim, um elo para que seja possível atingir os objetivos propostos pela terapia ocupacional, no favorecimento dos aspectos sensório-motor, intelectual, social e emocional da criança, além da criatividade e da autoconsciência.

Considerando que o momento do diagnóstico do câncer não é fácil, e que gera na família muitas inseguranças, ainda existe a expectativa do tratamento influenciar o comportamento emocional da criança portadora de câncer, que vive uma circunstância muito singular: com mudanças em seu cotidiano, atividades diárias alteradas pelas muitas idas e vindas a profissionais da área da saúde. Tudo isso, associado a tratamentos invasivos e dolorosos que multiplicam as dificuldades, culminando em outras sensações e alterações advindas da nova situação imposta.

Esse é um período em que não devemos considerar apenas a patologia, mas a criança como um todo, de uma forma humanizada. Muitas vezes a criança precisa se afastar da escola devido ao tratamento, e algumas atividades diárias como escovar os dentes, tomar banho, vestir-se, brincar, entre tantas outras, podem tornar-se difíceis. As crianças encontram-se assustadas com as modificações que ocorrem a partir da sua inserção nesse ambiente, horários a cumprir em virtude das regras estabelecidas pela instituição, manipulações em seu corpo, e talvez, estejam deixando para trás sonhos, amigos e familiares, enfim, de certa forma sua história de vida pessoal sofre uma ruptura.

Nesse contexto, o terapeuta ocupacional na Casa Durval Paiva utiliza como recurso terapêutico diferentes atividades para avaliar, tratar e reabilitar pessoas com disfunções de origem física, psicológica, social e ocupacional. Através de intervenções, buscando resgatar a autonomia e independência no cotidiano, sendo um mediador na realização destas atividades. 

Um dos recursos utilizados para facilitar a adaptação de crianças que estejam passando por um processo doloroso de tratamento, como os pacientes oncológicos é o brincar. Por ser um valioso recurso, favorece um setting terapêutico mais agradável e menos traumatizante, tornando possível desenvolver os aspectos cognitivos, afetivos, a criatividade, a cooperação, a função educativa, a possibilidade de trabalhar a agressividade, os hábitos inadequados e a autoestima.

É também através do brincar que a criança mostrará suas possibilidades e limitações; visto que o brinquedo é o objeto que mais atrai sua atenção; porém, nem sempre a criança é capaz de realizar sozinha a atividade, necessitando, neste caso, que o terapeuta estimule e seja um facilitador de acordo com as possibilidades do paciente.

Para a criança e seus familiares, a doença é um processo gerador de dor e sofrimento, e através da técnica do brincar terapêutico, mostra-se como uma ferramenta lúdica, educativa e terapêutica, capaz de facilitar a adesão ao tratamento, adaptação e aceitação à atual fase. Portanto, o brincar como recurso terapêutico devolve a essas crianças uma melhor qualidade de vida, além de torná-las mais felizes e saudáveis.

Fonte: Casa Durval Paiva