Sobre o prazer da leitura e sobre ´De repente a vida acaba`, de Clotilde Tavares

30/05/2020

Por: JEANNE ARAÚJO
 
O ato de ler para mim sempre foi natural. Desde a minha infância que tenho com os livros uma relação de intimidade, desta forma, a leitura sempre foi um momento de alegria, de distração, de lazer e diversão. Foi sempre assim que a vi e tentei levá-la aos meus alunos, como uma coisa maravilhosa para passar o tempo.
 
Eu odiava ter que ler para preencher aqueles questionários na escola, que restringia a leitura a decodificar os personagens e suas características e dissecar o enredo da história. Por causa disso odiei os clássicos da literatura, por causa disso tenho dificuldades de participar de grupos de leitura que dissecam histórias maravilhosas.
 
É na perspectiva do prazer da leitura que gosto de falar dos livros que leio. Minha relação com eles é de amor ou de nunca mais te leio. Então quando eu falar de algum livro, estarei falando principalmente de como foi que me senti lendo, se o livro me tomou pela mão, se me fez rir, chorar, se me deixou de plantão tentando entender o que acabei de ler. É assim que acontece comigo e se o livro terminar todo marcado, mania que tenho desde sempre, aí sim, pode ter certeza que o livro me pegou de jeito.
 
E é nessa perspectiva que venho falar sobre o livro lido essa semana – De repente a vida acaba – da escritora e dramaturga Clotilde Tavares. O enredo nos traz duas personagens principais , Maria Eulina e Alice, amigas, que vivem uma relação de amor e ódio e que nos permite refletir sobre as nossas escolhas na vida, os dilemas femininos e as amizades que levamos (ou não) pela vida afora.
 
É um romance maravilhoso que me fez rir, chorar, que me fez inclusive pensar sobre o ato de escrever literatura. Agradeço a Clotilde a companhia agradável nessas duas semanas de isolamento através de sua literatura ímpar e de ótimo entretenimento.
 
E também tenho um recado para a personagem Maria Eulina: Querida, eu também acho que não tenho o moinho!