Entrevista com Iracyara de Souza sobre qualidade de vida no isolamento social

30/05/2020

Por: Andrezza Tavares

       

      Entrevista com a profissional de educação física Iracyara Maria Assunção de Souza, estudante de Doutorado na Pós-Graduação acadêmica do IFRN (PPGEP), sobre qualidade de vida no enfrentamento da Pandemia do COVID-19.

1. Como a partir do contexto da pandemia deflagrada em março do corrente ano de 2020 devemos compreender as residências e os lares das pessoas?

       A pandemia do COVID-19 mudou radicalmente a vida das pessoas em todo o mundo. A adoção de rígidas medidas como o isolamento social e o amplo cuidado com a higiene passaram a ser imprescindíveis para mitigar a propagação da doença. Em função do necessário isolamento social, distintos fazeres humanos que aconteciam em espaços específicos como escola, restaurante, cinema, escritório, espaço de festa e academia para exercícios físicos foram transferidos para dentro de casa.

2.  Diante do confinamento imposto pela pandemia da COVID-19, que chegou de forma inesperada, como melhorar o nível de qualidade de vida já que estamos confinados dentro de casa?

            Não há como dialogar sobre qualidade de vida sem considerar o respeito ao isolamento social, como condição de continuar a existir saudavelmente. Este novo desafio requer uma transformação radical na rotina caseira impondo a necessidade de pensar a saúde e a qualidade de vida quanto aos pilares: alimentação, atividade física, sono, trabalho, afetividade, sexualidade e o lazer (MOREIRA, 2005).

         A resposta sobre como melhorar o nível de qualidade de vida já que estamos confinados dentro de casa não é fácil, mas são possíveis atitudes que nos conduzam para alternativas acertadas.

3. Que atitudes nos conduzem para alternativas acertadas de qualidade de vida, destacadamente, no isolamento social?

      Assim, recomendamos que evoquemos o ócio criativo, compreendido como lazer, trabalho mental suave e repouso. Para os profissionais da educação física, todas as coisas se tornam leves graças a disponibilidade perene e a alegria natural, expressa através do corpo, da musicalidade e da dança (DE MAIS, 2000).

         Nessa linha de raciocínio, as casas devem estar de portas abertas para que as pessoas confinadas possam criar possibilidades de alimentar o ócio criativo e atingir melhores níveis de qualidade de vida por meio de atividades lúdicas e culturais que traduzam equilíbrio, paz, beleza e divertimento. Para a nossa saúde e qualidade de vida é essencial que permaneçamos criando a cultura do movimento, sentindo o nosso ser-corpo e alimentando-o de alegria concomitantemente a dinâmica do movimento.

4. A higiene mental faz parte das ações necessárias para a qualidade de vida? Como agir sobre isto?

       É preciso pensar com entusiasmo e alimentar a esperança por dias melhores. A pandemia é um contexto em que nos lares se pode alargar o direito de brincar, de imaginar, de se alegrar e de viajar na aventura de viver a história de cada casa. É contexto que deve envolver diversão, repouso e trabalho suave. A corporeidade ativa e criativa reinventa as interações familiares com aprendizados repletos de expressão de amor, compaixão, responsabilidade individual e solidariedade.    

5. Qual orientações podemos seguir para aproveitar melhor o momento de isolamento social?

        Tornando-o um em um autêntico encontro familiar, presencial ou à distância, que agregue qualidade de vida. Devemos ressignificar o tempo de casa potencializando o brincar para manter o corpo em movimento, revivendo brincadeiras como jogos de tabuleiros e encaixes, cantigas de roda, o brincar de casinha, de esconde-esconde, montar quebra-cabeça, leituras, pinturas, colagens e os jogos eletrônicos. Acordando com alongamentos, ouvindo músicas, fazendo ginástica e exercícios físicos regulares, organizando gincana com as atividades de casa...

       Além disso, é importante se envolver com tarefas próprias do lar como: forrar cama, arrumar sapatos e tênis, arrumar gavetas, mesa para as refeições, dentre outras... É recomendado também assistir filmes com histórias edificantes. O segredo é fugir da agenda cansativa, repetitiva e entediante. Numa casa divertida cabe o repouso junto com o trabalho suave, a corporeidade ativa e criativa, e as interações familiares com aprendizados repletos de expressão como amor, compaixão, responsabilidade individual e solidariedade”.    

 

Nota: Esta entrevista publicada no Portal de Jornalismo Potiguar Notícias integra o repertório de publicações do Projeto pluri-institucional intitulado “Diálogos sobre Capital Cultural e Práxis do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) - IV EDIÇÃO”. O Projeto, vinculado a Diretoria de Extensão (DIREX) do campus IFRN Natal Central e ao Programa de Pós-Graduação Acadêmica em Educação Profissional PPGEP do IFRN, articula práxis do campo epistêmico da Educação a partir de atividades de ensino, pesquisa, extensão, inovação e internacionalização com o campo da comunicação social a partir da dinâmica de produções jornalísticas por meio de diversos canais de diálogo social como: portal de jornal eletrônico, TV web, TV aberta, rádio e redes sociais. O objetivo do referido Projeto de Extensão do IFRN é socializar ideias e práxis colaboradoras da educação de qualidade social, de desenvolvimento humano e social por meio da veiculação de notícias em dispositivos de amplo alcance e difusão de comunicação social. Para mais informações sobre o Projeto contacte a coordenadora: andrezza.tavares@ifrn.edu.br.  

 

 

Fonte: Iracyara Maria Assunção de Souza