Entrevista com a booktuber Tamy Ghannam, do conteúdo multimídia LiteraTamy

27/06/2020

Por: CEFAS CARVALHO
 
A booktuber Tamlyn Ghannam vem se destacando nas redes sociais com o canal no Youtube e conteúdo literário multimídia e independente nas redes sociais LiteraTamy. Criado em 2015 com o despretensioso intuito de compartilhar experiências literárias de uma então estudante de Letras, hoje, alguns anos depois, o LiteraTamy consolida-se como um projeto de criação de conteúdo literário multimídia e autônomo, voltado sobretudo à produção independente. Por meio de resenhas em texto, vídeos, entrevistas com autores, editores e outros entusiastas dos livros, e atuando como mediadora em conversas e grupos de leitura. Confira a entrevista feita com Tamlyn/Tamy sobre o projeto, literatura e muito mais:
 
Você mantém um prestigiado conteúdo literário multimídia e independente, como define. Como começou isso tudo?
 
Tudo começou em 2014, quando eu estava no primeiro ano da graduação em Letras e acabei conhecendo Proust. Por conta dele descobri que havia pessoas conversando sobre literatura na internet e decidi fazer o mesmo. O LiteraTamy foi acompanhando meu amadurecimento e o percurso dos meus interesses, que hoje se voltam à literatura contemporânea, especialmente à brasileira e independente. 
 
Em sua definição, "são resenhas, vídeos, entrevistas, mediações e prática da literatura como ferramenta revolucionária". Nestes tempos atuais a arte tem missão efetivamente revolucionária?
 
Não acredito que a arte deva responder a missões ou funções específicas. O que posso afirmar é que ela é prenhe de potência, capaz de se desenvolver de várias maneiras e nos estimular de muitas formas. Uma delas, talvez a mais poderosa de todas, é a da transformação, a nível individual e coletivo. Esse é o aspecto que me interessa. Não porque o veja como incumbência da arte, mas como possibilidade. Me encanta a perspectiva da arte como ferramenta revolucionária. Porque é insubmissa, ela experimenta e oferece vias, às vezes desconhecidas, por onde caminhar. Por onde é possível chegar à mudança. Hoje (e sempre) a arte se apresenta como uma alternativa à estagnação e ao conservadorismo.
 
Quais os critérios para você enfocar os livros? Como seleciona o que lê e resenha?
 
Sou uma pessoa movida pelo desejo e pelas paixões. Isso afeta diretamente todas as minhas escolhas, inclusive a curadoria do LiteraTamy. É o meu desejo que me guia à estante, é por ele que eu chego às leituras. Nesse sentido, tudo é muito natural. Como apaixonada pela diversidade, procuro sempre estar em contato com literaturas das mais variadas origens – esse é um critério de escolha. Outra preferência minha é a produção nacional, onde me vejo, me reconheço em muitos graus; também onde tenho a oportunidade de descobrir o meu entorno. Por último (talvez, porque há sempre algo que escapa da autoconsciência), as urgências que me permeiam também me movem em direção aos livros. Por isso minhas seleções literárias são igualmente pautadas pelo que urge ao meu redor, socialmente, e me atravessa enquanto sujeito em coletividade.
 
Qual a importância das redes sociais para a divulgação da literatura?
 
É uma importância fundamental. Em termos de conexão, um dos plenos poderes da arte literária, as redes sociais hoje são mestras. Acho muito benéfica a união entre literatura e internet, esta fazendo aquela chegar mais longe, com uma facilidade até então inédita, inclusive para públicos antes inatingíveis.
 
Qual a sua opinião sobre cursos e oficinas de literatura?
 
Todo espaço onde se discute literatura de maneira respeitosa, estimulante e abrangente deve ser bem-vindo e encorajado.
 
Você também escreve? Tem projetos literários próprios?
 
Não escrevo ficção, mas o LiteraTamy tem um site próprio onde publico textos sobre livros lidos e outros assuntos referentes à literatura. Também já trabalhei como colunista do portal cultural A Escotilha e colaboro eventualmente com outras publicações.
 
Como observa a nova geração em relação á literatura? É uma moçada que lê mais?
 
De maneira geral, as novas gerações passam o dia inteiro lendo – conversas no WhatsApp, legendas no Instagram e posts no Facebook, mas, ainda assim, lendo. Quem quer que as crianças e os adolescentes leiam mais livros deve compreender isso, dispor-se a entender a linguagem utilizada por eles, e a partir daí estabelecer uma comunicação que os atraia à leitura literária. Esse é o grande x da questão. Os jovens são interessados, mas cabe a nós apresentar a literatura como algo interessante.
 
Quais os gêneros literários que mais gosta? E quais as leituras preferidas que mais te influenciaram como pessoa e que te colocaram nos caminhos da literatura?
 
Sou uma leitora de fases, mas os gêneros que nunca me abandonaram foram o romance, o conto e a poesia. Machado de Assis me colocou nos caminhos da literatura. Depois dele, Carlos Drummond de Andrade, Lygia Fagundes Telles e Guimarães Rosa formaram minha santíssima trindade. “Grande sertão: veredas” é a minha bíblia. 
 
Para acessar o site, aqui: https://www.literatamy.com/
 
Para acessar o perfil no Instagram, aqui: https://www.instagram.com/literatamy/