Diante das famílias das vítimas, dono da boate Kiss desabafa: “Me prendam, estou cansado",

09/12/2021


Foto: noticias.uol.com.br

 

Em depoimento no julgamento do caso referente à tragédia da Boate Kiss, que vitimou 242 pessoas em Santa Maria (RS), Elissandro Spohr, dono da casa, fez declarações emocionadas diante do júri. Aos prantos, o proprietário se dirigiu às famílias das pessoas mortas no incêndio em 2013 e se desculpou pelo ocorrido. 


De acordo com Elissandro Spohr, em tom de desabafo, o incêndio da boate Kiss também representou uma tragédia pessoal, tendo em vista que perdeu muitos entes queridos. “Eu perdi um monte de amigos, eu perdi funcionários. Acham que eu não tinha amigos lá? Acham que eu ia fazer uma coisa dessas? Querem me prender, me prendam, eu 'tô' cansado, cara", ressaltou. 


Durante o depoimento, Spohr mencionou o nome de Marcelo de Jesus dos Santos, vocalista da banda gaúcha Gurizada Fandangueira, como alguém que tentou impedir que o fogo se alastrasse pelas dependências do local. "Acham que o Marcelo ia tentar apagar o troço se ele quisesse matar alguém? Porque eu ia querer fazer isso? Não é fingimento. Eu não aguento mais, cara. Eu 'tava' tremendo, 'tava' sem ar. Eu tive que pegar ar para dar esse depoimento", falou ao mesmo tempo que chorava muito. 


Em determinado momento do julgamento, o proprietário da boate se dirigiu às famílias das vítimas, enfatizando sua culpa, mas deixando claro que sofre quando pensa na noite do incêndio. "Eu não quis isso, eu não escolhi isso, desculpa de coração, mas eu não aguento mais. Hoje eu sou pai; eu sei que minhas filhas um dia vão ir (...) eu sei que vocês me odeiam, acham que eu queria matar, que eu queria machucar. Acham que é fácil pra mim? Não é fácil", relatou. 


Na descrição que fez da tragédia, Spohr disse que tentou ajudar as pessoas a saírem da boate, mas, com medo de ser hostilizado, preferiu ir até uma delegacia para buscar apoio. Ademais, segundo ele, quando soube posteriormente do número de mortos na boate que dirigia, começou a vomitar. "Eu não consegui pedir desculpa. Como eu ia falar? As pessoas me mandavam mensagens falando para eu me matar", relembrou.