Manifesto pró-democracia da Fiesp une de Febraban a sindicatos e se soma à carta da USP

04/08/2022


Foto: Reprodução/Fiesp

 

O segundo manifesto a favor da democracia, que contará com a assinatura de entidades, representantes de setores empresariais e da sociedade civil e centrais sindicais, reforça o compromisso "com a soberania do povo brasileiro expressa pelo voto" e a independência entre os poderes.

 

Apelidado de "carta dos empresários", o documento é uma resposta das entidades às crescentes investidas do presidente Jair Bolsonaro (PL) ao processo eleitoral e ao Estado Democrático de Direito.

 

O manifesto das entidades a favor da democracia, que deve ser publicado nesta sexta-feira (5) e ao qual a Folha teve acesso, conseguiu unir parceiros improváveis, como a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), centrais sindicais (como CUT, Força Sindical e UGT), a Febraban (que representa os bancos), a Academia Brasileira de Ciências e a UNE (União Nacional dos Estudantes).

 

A carta começa mencionando a importância simbólica dos 200 anos da independência do Brasil, e as entidades reiteraram o compromisso "inarredável com a soberania do povo brasileiro expressa pelo voto e exercida em conformidade com a Constituição".

 

"Nossa democracia tem dado provas seguidas de robustez. Em menos de quatro décadas, enfrentou crises profundas, tanto econômicas, com períodos de recessão e hiperinflação, quanto políticas, superando essas mazelas pela força de nossas instituições", diz outro trecho do documento.

 

Segundo o manifesto, a estabilidade democrática no país e o respeito ao Estado de Direito e o desenvolvimento são condições indispensáveis para que o Brasil supere seus principais desafios. "Esse é o sentido maior do Sete de Setembro neste ano", diz o documento.

 

Para o dia 7 de Setembro, o presidente Bolsonaro tem organizado um novo ato com seus apoiadores, nos moldes daquele que ocorreu no ano passado, quando o político aproveitou a data para fazer discursos golpistas e ameaçou ignorar decisões do Supremo.

 

Segundo o texto, as bases democráticas do país foram sólidas o suficiente para garantir a estabilidade de governos de diferentes espectros políticos.

 

O documento diz, ainda, que os que subscrevem este ato reiteram seu compromisso inabalável com as instituições e as regras basilares do Estado Democrático de Direito, constitutivas da própria soberania do povo brasileiro.

 

Conforme o colunista da Folha Reinaldo Azevedo havia antecipado em seu programa na rádio BandNews FM, o documento reúne ao menos cem assinaturas.

 

O manifesto seria publicado nesta quinta-feira, mas foi adiado, segundo fontes, para que os logotipos de todas as entidades constassem no documento.

 

ARTICULAÇÃO ENVOLVEU EMPRESÁRIOS E SAIA JUSTA COM BOLSONARO

No último dia 26, a Fiesp já havia confirmado à Folha sua participação no texto elaborado pelas entidades, que deve ser publicado nesta sexta-feira nos principais jornais do país.

 

A federação também deve participar de um evento na Faculdade de Direito da USP no dia 11 de agosto, em ato em defesa da democracia. As entidades ainda estão colhendo assinaturas para o documento, que terá como signatárias organizações da sociedade civil.

 

No dia seguinte, foi a vez da Febraban (Federação Brasileira de Bancos) afirmar em comunicado que iria assinar o manifesto organizado pelas entidades da sociedade civil em defesa da democracia.

 

"A Federação Brasileira de Bancos (Febraban), no âmbito de sua governança interna, por maioria, deliberou por subscrever documento encaminhado à entidade pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), intitulado 'Em Defesa da Democracia e da Justiça'", afirmou, em nota à época.

 

Ainda na semana passada, as principais centrais sindicais do país comunicaram que também assinariam o documento, unindo de maneira incomum representantes de trabalhadores e de entidades patronais.

 

Nesta semana, o presidente Jair Bolsonaro suspendeu encontros que teria com empresários em São Paulo a menos de dois meses das eleições e em meio ao aumento da pressão da elite econômica do país contra falas de teor golpista e ataques do mandatário ao sistema eleitoral.

 

Para evitar danos ainda maiores à sua imagem, Bolsonaro cancelou uma ida à Fiesp e também um jantar com um grupo de empresários que teria no próximo dia 11 na capital paulista, como antecipou a coluna Mônica Bergamo.

 

Além do manifesto "Em Defesa da Democracia e da Justiça", que conta com Fiesp e Febraban, um outro documento foi publicado na terça-feira (26), organizado por ex-alunos da Faculdade de Direito da USP, intitulado "Carta aos Brasileiros".

 

Esse documento já publicado reúne assinatura de banqueiros, empresários, economistas, juristas e outros representantes da sociedade civil. A "Carta às brasileiras e aos brasileiros em defesa do Estado Democrático de Direito" já angariou mais de 730 mil adesões.

 

Os dois manifestos serão lidos em cerimônias no dia 11 de agosto, no largo de São Francisco, onde fica a Faculdade de Direito da USP.

 

A primeira cerimônia deve ter empresários e demais representantes da sociedade civil, às 10h, no Salão Nobre, quando será lido o manifesto das entidades empresariais e associações. Na outra, às 11h30, será feita a leitura do manifesto "Carta aos Brasileiros".

Fonte: Folha de S. Paulo