Alfredo Neves

09/06/2020
 
A ARTE ARROJADA E MODERNA DE ALUÍSIO AZEVEDO.
 
 
Aluísio Azevedo Jr., 57 anos, nascido em São Paulo do Potengi/RN. Escritor, editor, livreiro, artista plástico, formado em Letras, Processamento de Dados e pós-graduado em renomadas instituições de ensino superior do país (USP, FGV e UFRJ) com proficiência em finanças, marketing, educação, consultoria e gestão cultural. O seu pai, Aluísio Azevedo (1925-2005) teve vida ativa e fervorosa na literatura do Rio Grande do Norte, tendo sido acadêmico e ocupante da cadeira No 30 da ANL (Academia Norte-Rio-Grandense de Letras), que teve como patrono Monsenhor Augusto Franklin e fundador da cadeira Manoel Rodrigues de Melo. Segundo Aluísio Azevedo Jr. o seu gosto pela arte e o espírito artístico é herança da sua mãe, Maria Rocha Azevedo. A sua família chegou em Natal em 1971, quando ele tinha 7 anos, morando inicialmente numa ruazinha de nome poético ‘Escoteiro Andante”, bem próxima a Escola Municipal Joaquim Honório, onde também estudou, pois além dessa adquiriu conhecimento no Municipal do Baldo e logo depois na ETFRN.
 
Aluísio Azevedo Jr foi também o franqueado da livraria Nobel em Natal, realizando serviços relevantes juntamente com a venda de livros, onde as atividades culturais nos espaços da franquia funcionavam entusiasticamente, divulgando ideias, escritores, artistas plásticos e literatos de todos os matizes. Atualmente é responsável e milita culturalmente na Livraria Manimbu. Aluísio é também presidente da Academia Potengiense de Letras e Artes da cidade de São Paulo do Potengi. Autor de 9 livros, dentre eles alguns romances e os mais marcantes: Ubaia Doce, Um Punhal Feito de Escuridão, HAVANA — Em Busca da Noite Perdida, Um Novo Cheiro de Café, Raios de Sal, entre outros.
Em seu currículo constam ainda diversas atividades e realizações: Colaborador e redator final do Plano Municipal do Livro, 2015; diplomado por mérito literário pela Câmara Municipal de Natal, 2016; parecerista da Lei de Incentivo à Cultura de Natal, 2016 a 2018; parecerista de Literatura e Artes Plásticas na Secretaria de Cultura do Ceará; coordenador da Comitiva Brasileira na Feira Internacional do Livro de Havana, Cuba, 2017; membro eleito e atual vice-presidente do Conselho Municipal do Livro de Natal. Premiado, em 2018, pelo Ministério da Cultura, no concurso literário de ficções temáticas, com a novela “Anarquia dos Cafezais”; colaborador do Plano Municipal de Cultura de Natal, 2018; idealizador do projeto editorial "Justiça Restaurativa - Autores no Cárcere"; premiado no concurso literário Moacy Cirne, edição 2019, com o romance Raios de Sal.
 
No campo das artes plásticas Aluísio Azevedo é um pintor modernista e com influência do Abstrato, Surrealismo, Expressionismo Abstrato e da Arte Contemporânea. Muito das suas referências estão identificadas nos trabalhos de Pablo Picasso (1881 – 1973), Salvador Dali (1904 – 1989), Vincent Van Gogh, (1853 – 1890), Joaquín Sorolla (1863 – 1923) e Cecily Brown (1969 -). O estilo de Brown é também influenciado pelos movimentos acima elencados. Dessa forma, como a maioria já foi descrito por mim em artigos anteriores, falarei mais um pouco neste texto sobre o Expressionismo Abstrato, entendendo, que de certa forma a arte de Aluísio Azevedo tem traços fortes deste movimento, denominado também de Escola de Nova Iorque.  
 
Eram dezenas de artistas que experimentavam e praticavam a técnica expressionista moderna espalhada em vários estados americanos, notadamente na década de 40. O termo que havia sido usado pela primeira vez em 1919 na Alemanha, teve a evolução da técnica e novos conceitos pictóricos, passando a ocupar ruas, guetos, grandes cidades e fez surgir Os Expressionistas Abstratos ou “a Primeira Geração da New York School” (Sandler, 1940), nos EUA. De certa forma a New York School se contrapunha a École de Paris e na veia dos seus preponentes criar era a ordem, e criar das mais variadas formas possíveis, possibilitando sobreposições, derramamentos e gotejamentos de tintas que mostrassem novas técnicas no campo das artes plásticas.
 
Nomes importantes do Expressionismo Abstrato como Jackson Pollock (1912-1956), Arshile Gorky (1904-1948), Mark Rothko (1903-1970), Clyford Still (1904-1980), Barnett Newman (1905 – 1970), Willem de Kooning (1904–1997), apenas para citar alguns, estavam revolucionando o mundo das artes no finalzinho e pós a II Grande Guerra Mundial,  e que tinha uma marchand de peso como Peggy Guggenheim (1898-1979), mesmo não sendo  artista plástica, percorreu toda a Europa reunindo obras de artes tanto abstratas, como cubistas e surrealistas (Hess, 2009). Guggenheim teve um papel importante ao divulgar e expor em sua Galeria de Nova York, a Art of This Century, ou a “Arte deste Século”, vários artistas plásticos americanos que estavam produzindo este estilo de Arte. Refinando mais um pouco, dentro da Escola Expressionista Abstrata, percebe-se de forma nítida um paralelo dessa influência entre as telas de Aluisio e as de Kooning. Willem de Kooning reinventou as mulheres do Cubismo, apesar do figurativismo presente em suas telas, ele trouxe à tona formas revolucionárias e modernas de representar as coisas. “As suas mulheres” eram cada vez mais adaptadas a um novo tempo.  Com maior amplitude, essa nova tendência antes jamais reproduzida, da maneira como Kooning as pintava, tornou-o, outro importante e influente deste movimento depois de Jackson Pollock. 
 
Certamente os totalitaristas incluiriam as obras de Willem de Kooning no rol das artes degeneradas. A respeito da Arte Degenerada (tema também já abordado no artigo sobre o poeta e artista plástico João Andrade), em sua mais recente e cancelada exposição, intitulada: Contra o Bom, o Belo e o Verdadeiro – A poesia e a Pintura Degeneradas de: Alfredo Neves, Aluísio Azevedo Júnior e João Andrade, que iria ocorrer no dia 13 de março de 2020, na Capitania das Artes, Aluísio Azevedo mostraria uma arte caprichosa e arrojada, com profunda identidade e rica afinidade com o Expressionismo Abstrato para os amantes das artes em nosso estado. Até organizamos as telas nos cavaletes e nas paredes da Capitania das Artes, só que infelizmente ficamos devendo, tendo em vista que a exposição foi cancelada devido aos protocolos de isolamento social, por causa do Covid-19.
 
Pois bem, depois do inicio do seu primeiro trabalho de pintura em 1985,  e após ter ingressado no curso de pintura do Ateliê de Cristina Jácome e Marcelus Bob, e com a primeira exposição no II Salão de Artes Plásticas do Sesc – Cidade Alta, em 1987, com o trabalho “Tropical – Ecossistema Nordestino”, Aluísio só tem nos mostrado que a sua arte é digna de admiração e elogios  tanto no aspecto técnico como estético.  Depois de uma “reclusão”, no que se refere à apresentar as suas pinturas para o público, mas continuando sempre pintando em paralelo aos trabalhos culturais, retorna então 20 anos depois, já em 2011, com uma Exposição na Livraria Nobel, com a apresentação de oito quadros das séries: “Um Olhar Sobre o Futuro” e “Universo Fantástico de Seu Zé Antônio. Em 2018, participa na “Trapizonga” de Zélia Mendonça, com intervenção na Bienal de Cerveira em Portugal. 
 
Quanto aos quadros de Aluísio Azevedo, destaco os mais marcantes e  extraordinários: “Corisco”, óleo sobre tela, 70 x 100; “Havana”, guache e acrílico, 80 x 100; “Liturgia dos Generais”, óleo sobre tela, 75 x 95; “Milicianos”, óleo e acrílico, 75 x 95; “Tocororo”, guache e óleo , 75 x 95; “Infância Perdida”, óleo sobre tela”, 75 x 65; “Máscara de Dirk”, óleo sobre tela, 50 x 50; “Batalha de Rua”, óleo sobre tela, 50 x 50; “Angústia”, óleo sobre tela, 60 x 120, “Rio de Janeiro”, óleo sobre tela, 40 x 60 e “Olhar Sobre o Futuro”, óleo sobre tela, 40 x 60.
 
Em conjunto, tanto as obras quanto os escritos de Aluísio Azevedo Júnior, merecem em momento oportuno a visitação dos interessados.  Nestes tempos sombrios e difíceis, posso afirmar que Aluísio Azevedo e toda a sua produção cultural e artística, são faróis para iluminar a nossa vida, fazendo dele um artista importante da sua geração e do nosso tempo.
 
FONTE DE PESQUISA
- GULLAR, Ferreira. A Arte Contemporânea Brasileira, 2012; Lazulli Editora
- HESS, Bárbara. Expressionismo Abstracto, 2009; Taschen