Wellington Duarte

14/05/2022

 

A volta dos Alves é a volta das oligarquias?
 
 
Estamos vendo a recomposição de uma oligarquia no RN? Estamos presenciando, pela via eleitoral o ressurgimento da “oligarquia Alves”? As candidaturas de Carlos Eduardo Alves ao Senado, pelo PDT; de Henrique Eduardo Alves (PSB) e Garibaldi Alves Filho (MDB), para deputado federal; e Walter Alves (MDB), como vice-governador, caracterizaria, caso todas essas candidaturas sejam vitoriosas, o controle de grupo familiar sobre a política do RN?
 
Se a oligarquia é uma forma de poder que está nas mãos de um pequeno número de pessoas e essas pessoas podem ou não ser distinguidas por uma ou várias características, como nobreza, fama, riqueza, educação ou controle corporativo, religioso, político ou militar, então podemos dizer que não, a família Alves não se enquadra nesse sentido de oligarquia.
 
Edward Shils (1910-95), um sociólogo influente da Universidade de Chicago, definiu oligarquia como um grupo de poder restrito, homogêneo, estável, com uma boa organização interna e fortes vínculos entre seus membros, pouco confiante na lealdade de quem a ele pertence e cauteloso na admissão de novos membros; é um grupo que governa de modo autoritário, robustecendo o executivo, controlando o judiciário, marginalizando ou excluindo o Parlamento, desencorajando ou eliminando a oposição.
 
Percebam. Nos dois casos existe um pressuposto para que a oligarquia exista e seja reconhecida: o exercício do poder. Isso, os Alves não têm mais. E se tiverem estarão inseridos dentro do bloco no poder, mas na sua esfera marginal, afinal vice-governador é essencialmente vice. Então devemos dizer que a provável e/ou possível volta dos Alves ao centro do poder político local, seria a retomada de um poder perdido desde que Garibaldi Alves Filho deixou o governo do RN, em abril de 2002?
 
Num espaço econômico marcado por um processo histórico cujo DNA pode ser encontrado nas fazendas do interior do RN e cuja base do poder político foi, pelo menos até a década de 70, a apropriação da riqueza produzida no estado devido ao poderio econômico, advindo, primeiro do açúcar e depois do algodão. Essa formação originou, de fato, duas poderosas oligarquias: a dos Maranhão e a do algodão. Ambas dispunham de poder político a partir do seu poder econômico.
 
A ruptura entre Aluízio Alves e Dinarte Mariz, rompeu com esse status quo. O poder passou a ser exercido, por pouco tempo é verdade, por uma nova composição em que o poder da oligarquia agora derivava de uma aliança lastreada pelo controle da “coisa pública”, o aparelho de estado, e os comerciantes, ou seja, a própria concepção clássica de oligarquia permanecia, mas com uma formatação diferente.
A oligarquia do algodão esgotou-se no final dos anos 60 e na década de 70 e a oligarquia que emerge desse processo, a dos Maia, ela mesma oriunda das fazendas de gado, centrou seu poder no aparelho de estado. Numa economia frágil e com poucas bases econômicas poderosas, coube aos governos passarem a exercer o papel de campo de luta dos interesses dos grupos familiares, essa sim a base de formação da política do RN.
 
De lá para cá a política do RN, na sua baixa dinamicidade, fortaleceu o patrimonialismo e deu nova vida aos servilismo, espraiando-se entre os segmentos familiares (grandes e pequenos), principalmente os Alves, Maia e Rosado, todos eles ancorados no setor público, no comércio e nas fazendas. 
 
Se é verdade que ocorreu, principalmente no começo do século XXI, o enfraquecimento desses grupos familiares, muito em função do enfraquecimento do seu poder sobre a já falada “coisa pública”, eles mantiveram sua influência nos círculos do poder, em associação com os grupos familiares menores. 
 
Nas eleições desse ano os Alves representam um retorno, é verdade, de uma concepção política que não se esgotou e que se mantém viva e atuante: a dos grupos familiares. É verdade que, além dos grupos familiares, há grupos de interesses que ocupam as diversas camadas do poder público, mas a base de coesão ainda se remete aos grupos familiares, que uma pessoa mais afoita poderia chamar de clã.
O processo eleitoral, que já varreu os Maia do centro do poder e que jogou, de novo, os Rosado a um papel localizado, pode enterrar de vez a possibilidade de recomposição de um grupo político que tem, com certeza força política, ou pode dar espaço para que ele se recomponha.