Wellington Duarte

28/05/2022

 

Vila Cruzeiro e Umbaúba: a MORTE veio para ficar?
 
 
Cena 1. Uma operação do BOPE-RJ e da PRF, resultou em 26 mortes na comunidade de Vila Cruzeiro, habitada, em sua grande maioria por gente negra e pobre. 
 
Ninguém é burro o suficiente para acreditar que essa matança foi fruto de uma “ação bem planejada”, que foi transformada em “ação emergencial” por um “fato novo”. Que raio de inteligência militar é essa, que aprova uma operação desse tipo?
 
Cena 2. Interior de Sergipe, na pequena cidade de Umbaúba, distante 102 km de Aracajú e que tem uma população de pouco mais de 24 mil habitantes. Uma pessoa, que segundo familiares tem problemas de saúde mental, foi “abordada” e jogada dentro de um carro da PRF, no qual saia fumaça e morreu sufocado. 
 
A PRF, numa nota patética, disse que os militares usaram “técnicas de imobilização e instrumentos de menor potencial ofensivo”, que causou a MORTE de uma pessoa que, de acordo com um sobrinho, que estava no local, foi agarrado pelos policiais que o jogaram dentro da viatura e soltaram uma bomba de gás lá dentro. 
 
Esse é o país que estamos vivendo hoje. A Morte tornou-se uma entidade que está presente nas instituições públicas. Seja pela sabotagem governamental na condução de uma pandemia, que já matou mais de SEISCENTOS E SESSENTA E CINCO MIL BRAZILEIROS; seja pelo delírio fascista, que norteia o pensamento dessa falange que tomou o poder, que enxerga o armamento como uma espécie de falo. É a erotização da Morte (com “m” maiúsculo”) que encontra eco em vendedores da fé, que mais parecem servos do Ceifador.
 
Essas duas cenas seriam IMPOSSÍVEIS se, no primeiro caso, fosse num condomínio de luxo, situado por exemplo no Condomínio Vivendas da Barra, na chiquérrima Barra da Tijuca, onde, numa das casas, se planejou a morte da vereadora Marielle Franco, um crime insolúvel ao que parece. Imaginem o BOPE e a PRF entrando no Vivendas as 4h da madrugada, caçando traficantes. Podem imaginar à vontade. Será que veríamos os corpos sendo colocado nas caçambas de camionetes, como se fosse resultado de uma caçada? Corpos loiros e com sinais de riqueza teriam esse mesmo destino?
 
No segundo caso imaginem se fosse um dono de um potente Honda GL 1800 Gold Wing, cujo preço gira em torno dos R$ 170 mil, abordado pelos policiais. Vocês acham mesmo que a fúria dos agentes da repressão teria a mesma ferocidade? Será que jogariam o riquíssimo proprietário da Honda no “camburão” da PRF com FUMAÇA dentro para, no estilo Auschwitz, provocar a terrível morte por inalação?
 
Vão imaginando. 
 
Sem mais.