Emanuela Sousa

26/06/2022

A moda do desinteresse

 

Desculpe a sinceridade, mas ninguém percebeu que… estamos morrendo por dentro. Me dei conta de como a velocidade do tempo e do modernismo têm nos levado para perto das vaidades do mundo, do orgulho, da soberba do que para o verdadeiro significado do amor.

 

Falaram para nós que fazer charme é melhor do que mostrar interesse, que fingir que não se importa é mais atraente do que estar disponível.

 

Nos ensinaram que devemos dizer que não queremos nada sério, assim o outro (a) pode lhe achar mais interessante… Mas quando a noite chega, agarramos nosso travesseiro porque não temos ninguém, não é mesmo?

 

Pedimos, em preces, aos sussurros, para que Deus coloque um ser iluminado em nosso caminho, exigimos uma lista de qualidades, tais como fidelidade, companheirismo… Mas tão pouco nos esforçamos para que isso aconteça.  Não frequentamos os bares, não vamos à um café, passamos reto pela bilheteria do cinema, evitamos o contato visual. Por quê? Porque não deixamos ninguém chegar? Porque estamos presos nas mentiras que nos disseram, no mundinho de desinteresse que inventamos, à troco de liberdade, para dizer que estamos "na moda".

 

Gritamos pelos quatro ventos que temos liberdade para dar e vender, mas por dentro morremos de vontade.

 

Que moda é essa que nos ensina a fingir e a vestir um charminho que não é nosso, só pelo prazer de desestabilizar o outro?

 

Vou mais além nesse trecho, onde foi que nos ensinaram a mentir tão bem?

 

É entrando nessa barca furada, que vamos nos distanciando de nossa verdadeira essência. Enganando a nós mesmos, seguindo as falas do modernismo, que não é a nossa cara. Poucos irão sacar, mas a felicidade ainda está em aceitar quem a gente é.

 

Em tempos de pós pandemia, estamos exaustivos dos joguinhos. Estamos optando pela transparência, a fim de não perder mais tempo.

 

Expressar o que está sentindo é saudável e libertador. Mostrar que está a fim é interessante, disponibilidade? Hm, é tentador.

 

Alguém avisa a galera que falar o que sente, ser doce e disponível, nunca saiu de moda. Aliás, a transparência de ser quem a gente é, sempre foi um atrativo aos olhos de quem busca o real.