Armando Souza

07/06/2024 14h17

COLETIVO CULTURAL: Paranã-mirim, o Rio Pequeno em foco

Preocupados com o futuro da cultura em Parnamirim, a comunidade artística formada por diversos segmentos culturais, vem a público apresentar suas demandas e preocupações em relação a forma como a gestão pública vem conduzindo os editais públicos nas últimas décadas.

O conceito de cultura é bastante abrangente, contudo, na sua essência, pressupõe-se ser uma manifestação humana através do olhar do artista para si mesmo ou algo absorvido à partir das suas vivências e observações do conjunto de valores, crenças e costumes de uma sociedade, sendo capaz de conectar o apreciador da obra com o passado, presente e futuro da civilização humana e, por conseguinte, contribuir da identidade histórica e cultural da cidade ao longo do tempo. 

Podemos, portanto, afirmar que a cultura não é um fenômeno formado ao acaso, no centro desta simples evidência encontramos o agente cultural, ou seja, o trabalhador braçal, aquele que tem a vocação de realizar, compartilhar e fazer a conexão da sua arte com a formação do imaginário popular, cuja função é extremamente relevante no processo de construção cultural e histórica da sociedade, cujo dom é alimentado e expandido através da qualidade das suas condições básicas de sobrevivência.

Apesar da importância da cultura no desenvolvimento de qualquer cidade, em Parnamirim, terceiro lugar no PIB do Rio Grande do Norte, região de abundante natureza com uma rica herança cultural de um cenário turístico vibrante, carregado de histórias e tradições com um povo trabalhador ativo, criativo e alta capacidade de produzir arte em alto nível, os artistas e demais fazedores de cultura, há décadas, enfrentam decisões políticas entre outras dificuldades  que impactam diretamente na sua capacidade de criar, produzir, apresentar e viver dignamente da sua arte. Entre elas, podemos citar: a falta de diálogo, transparência, a política dirigista adotada pela situação, a falta de um calendário cultural adequado, o abuso de investimento em produções artísticas nacionais, vereadores insensíveis às artes, falta de critérios na escolha dos projetos culturais locais, diversas irregularidades, divergências dos editais, tramitação de leis culturais de cunho estritamente pessoal e eleitoreiro, entre outras decisões responsáveis pelo abismo cultural em Parnamirim.   

Mesmo com os avanços conquistados pelos trabalhadores e a obrigatoriedade da complementação das estruturas do Sistema Municipal de Cultura, diante da adesão às leis de cultura atualmente em vigor, Paulo Gustavo e Aldir Blanc, não se verifica ainda os impactos positivos no que diz respeito às exigências e princípios básicos previstos de transparência, democratização, transversalidade, diversidade entre outros, previstos no Sistema Nacional de Cultura. 

Diante do exposto, é urgente a necessidade de uma construção coletiva entre os artistas e os próximos gestores públicos no sentido de atender às seguintes demandas: que o novo Secretário(a) da SEMUC seja escolhido de forma técnica; disponibilizar e manter a interlocução ativa com o conselho cultural eleito; destinar orçamento para o pleno funcionamento do conselho; trazer os músicos e festas populares (músicos, arraiás, quadrilhas e carnaval) para pasta da SEMUC; completar o Sistema Municipal de Cultura, conforme as diretrizes do SNC; construir o orçamento da cultura coletivamente; implementar políticas de incentivos financeiros e formação cultural; destinar 30% do PNAD do orçamento para os povos Tradicionais, índigenas e comunidade dos Ciganos conforme prever a Cultura Viva com repasse feito igualitariamente, Instituir o Dia Municipal da Cultura Cigana, inserir o dia dos Pretos Velhos e  da conciência negra como ação afirmativa no calendário anual de eventos; incluir a Capoeira no ambiente escolar, antecipar recursos para as quadrilhas no mês de maio com o objetivo de organizar uma melhor logística, além de ampliar e diversificar aulas de práticas musicais nos Quilombos e na Secretaria Municipal de Cultura, respectivamente.

Por fim, queremos convocar todos os profissionais dos diversos segmentos artísticos para construir uma frente cultural coletiva em defesa de políticas públicas e permanentes que atendam de fato às necessidades básicas da classe trabalhadora da cultura em consonância com os anseios da sociedade Parnamirinense.

Desde já agradecemos a contribuição e aval dos agentes culturais abaixo relacionados, além daqueles que, por motivos pessoais, participaram de forma anônima.

 

AGENTES CULTURAIS PARTICIPANTES DESTE ARTIGO  

  1. Armando Souza/Músico;
  2. Mara Jovanka/Ativista Social e Cultural;
  3. Gilberto Cigano/Líder dos Ciganos;
  4. Firmino Firmeza – Ecoprodução
  5. Juliana Modro – Produtora Cultural e Atriz
  6. Nelson Rebouças – Poeta e Produtor Cutural;
  7. Mãe Lúcia/Líder dos terreiros
  8. Jane Cortez - Cantora e Atriz
  9. Amanda Pereira – Produção e Captação de Recursos;
  10. Juruna Silva – Diretor de Quadrilha;
  11. Sara Fracchia – Produtora Cultural;
  12. Francisca Filha – Produtora Cultural;
  13.  Amanda Caetano – Designer;
  14. Rafael Germano – Designer;
  15. Guilherme Silva – Designer e Estudante de Música
  16. Fellipe Costa – Estudante de Música
  17. Mestre Tupic – Prof. de Capoeira;
  18. Joka Dantas – Músico Sanfoneiro;
  19. Telmah Rodrigues – Especialista em Teatro e Dança;
  20. Edgar Ramos – Músico

 

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