Armando Souza

23/05/2024 11h44
       
 O potencial e as demandas juninas dos Arraiás e das Quadrilhas em Parnamirim
 
As festas juninas representam uma tradição rica culturalmente e socialmente de imensurável relevância em todas as regiões brasileiras, especialmente, no nordeste. Extremamente importante na roda da economia, essas festas, promovem, espontaneamente, a circulação de recursos financeiros, gerando emprego e renda para muitos trabalhadores da cultura, tais como: músicos, produtores de eventos, dançarinos, costureiras, comerciantes e ambulantes. 
 
Está profundamente enraizada nas celebrações dos santos populares (São João, São Pedro e Santo Antônio) e também pelas práticas comunitárias rurais com raízes na Colonização brasileira, na cultura agrícola, como um momento especial para agradecer a colheita e pedir boas safras futuras, com forte influência absorvida das danças e celebrações europeias que se misturaram com as culturas africanas e indígenas, constituindo-se, portanto, numa tradição única e versátil. 
 
Mas, à medida que se aproximam esses festejos, também crescem as preocupações de produtores e realizadores de arraiás e quadrilhas em todo o país. Especificamente, em diversas comunidades e bairros de Parnamirim, pois são inúmeras as demandas para realizar uma festa junina, seja de pequeno, médio ou grande porte.  
 
Parnamirim, com suas áreas agrícolas, incorporou essas tradições, onde as comunidades se reuniam para celebrar com danças, comidas típicas e fogueiras. Com o desenvolvimento urbano e comunitário, especialmente após a instalação da Base Aérea de Natal durante a segunda guerra mundial, a cidade passou a desenvolver uma identidade própria e, a realização dos arraiás de rua e quadrilhas improvisadas ocorridas através da livre iniciativa dos moradores, tornaram-se eventos comunitários importantes, promovendo a coesão social, o crescimento econômico e valorização da cultura local. Com o passar tempo, essas festividades juninas, começaram a se organizar formalmente e, grupos de moradores se reuniam para ensaiar as danças, preparar figurinos e comidas típicas, planejando e ampliando a logística desses arraiás e quadrilhas, que logo se tornaram motivo de competições entre bairros e comunidades. Segundo o Produtor Cultural Raylson Albuquerque, Diretor Geral da Quadrilha Encanto Potiguar do Bairro Distrito Industrial: “Para colocar uma quadrilha na quadra, é preciso um investimento de, no mínimo, 40 mil reais”.  Quando questionado sobre ajuda do poder público, foi taxativo: “nunca houve e agora tá pior” concluiu o produtor Raylson.  
 
Porém, se por um lado, a popularização das festas juninas adotaram elementos tradicionais, modernos e a profissionalização do mercado, por outro trouxe consigo a ganância de políticos inescrupulosos e são utilizadas como moedas de troca eleitoral.
 
Apesar de destacar-se culturalmente com relevância na economia local, esses eventos juninos em Parnamirim estão longe de beneficiar os artistas e fazedores de cultura local e são realizados atabalhoadamente, sem uma política permanente e adequadamente projetada para minimizar as dificuldades básicas de qualquer produção cultural. O que se sabe é que a maior parte desses recursos públicos estão ficando nas mãos das grandes bandas contratadas em detrimento das produções locais, como é o caso dos arraiás, quadrilhas e artistas da região, uma prática já institucionalizada para atender aos interesses meramente pessoais desses gestores públicos. 
 
Nos grupos de agentes culturais que participo aqui na cidade de Parnamirim, apesar de muita discórdia entre si no campo das ideias, é quase unânime a opinião de que não faz sentido o controle das contratações musicais das festividades juninas e carnavalescas está sobre o comando da SETUDE (Secretaria de Turismo e Desenvolvimento Econômico), pois não há nenhuma participação popular ou consulta de opinião para aplicação desses recursos.
 
Por fim, o que deveria ser uma celebração em prol da comunidade de   abundante riqueza cultural, descabidamente deixam transparecer os reais interesses pessoais de sobrevivência política, dos últimos suspiros de uma gestão pública municipal tão desalinhada das diretrizes básicas do Sistema Nacional de Cultura, já em prática em todo Brasil. 
 
DESTAQUE CULTURAL
 
O Destaque cultural da semana é apresentação musical do CHORO DO CAÇUÁ no espaço gastronômico MAHALILA CAFÉ, situado no bairro de Potilândia, na próxima SEXTA-FEIRA, 24 de MAIO, às 20h, sob a batuta do artista Carlos Zens, o projeto Choro do Caçuá vem abrilhantando o cenário musical potiguar com performances em alto estilo.   
 
AGENDA CULTURAL POTIGUAR NOTÍCIAS
 
23/05 – 20h - PRÁTICA DE CHORO – OFICINA LIVRE DE MÚSICA;
24/05 – 19h – LARA KUHN – BAR CARRANCAS/PIUM;
24/05 – 20h – ALAN PERSA E BANDA – BAR SEMPRE ROCK;
24/05 – 20h - CHORO DO CAÇUÁ – MAHALILA CAFÉ;
25/05 – 20h – JIZZARDS – BAR SEMPRE ROCK;
25/05 – 20h – FORRÓ DOS CHICOS - BARDALLOS
           
Por ARMANDO SOUZA
 
 

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