Bia Crispim

02/07/2021
Sikêra ou se não queira, você vai ter que nos respeitar!
 
 
Acredito que todas as pessoas que têm algum contato com as redes sociais viu a grande polêmica envolvendo um “apresentador” de programa sensacionalista que só mostra desgraça além do seu vômito LGBTfóbico. 
 
Em seu regurgito, ele criticou a propaganda que a rede de fast food Burger King criou para o Dia do Orgulho LGBTQIA+ com as seguintes pérolas:
 
“A gente está calado, engolindo, engolindo essa raça desgraçada que quer que a gente aceite que a criança...deixe as crianças, rapaz!"
"A criançada está sendo usada. Um povo lacrador que não convence mais os adultos e agora vão usar as crianças. É uma lição de comunismo: vamos atacar a base, a base familiar, é isso que eles querem. Nós não vamos deixar”
Sem deixar de citar as clássicas relações com abuso e pedofilia. 
 
Gostaria de lembrar ao dito cujo e sua raça desgraça que, no site do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos do atual governo estampa-se as seguintes informações: “O levantamento da ONDH permitiu identificar que a violência sexual acontece, em 73% dos casos, na casa da própria vítima ou do suspeito, mas é cometida por pai ou padrasto em 40% das denúncias.
 
O suspeito é do sexo masculino em 87% dos registros e, igualmente, de idade adulta, entre 25 e 40 anos, para 62% dos casos. A vítima é adolescente, entre 12 e 17 anos, do sexo feminino em 46% das denúncias recebidas.”
 
Enquanto o site do MP do Paraná reforça alguns desses dados apontando que:  “Segundo os números do Ministério da Saúde, dois terços dos episódios de abuso registrados em 2018 ocorreram dentro de casa. Em 25% dos casos, os abusadores eram amigos ou conhecidos da vítima, em 23%, o pai ou padrasto.”
 
Vejam só! Que grande revelação! Não são os LGBT’S os responsáveis por práticas libidinosas usando crianças e adolescentes. Pelo contrário. E deixo registrado aqui que muitas dessas crianças abusadas são meninos afeminados, crianças viadas que já são aliciadas por homens cis, héteros, pais da tradicional família brasileira. Eu fui uma delas!
 
O comercial em questão, que fez o senhor “apresentador” vomitar tanto ódio mostra crianças e pré-adolescentes comentando sobre as diversas formas de AMOR e descrevendo suas famílias (algumas configuradas como LGBTQIA+)
 
Ensinar às crianças sobre diversidade, sobre formas distintas e múltiplas de amar e se relacionar com outras pessoas através de vínculos de AFETO, de CARINHO, de CUMPLICIDADE, de RESPEITO e de AMOR não as prejudicam, não as desvirtuam, não as tornam LGBTQIA+ em potencial. Pelo contrário, tornam-nas capazes de respeitar as outras pessoas diferentes delas, as outras configurações familiares diferentes das suas, as outras formas, distintas e particulares, de as pessoas se expressarem.
 
Ensinar às crianças sobre pluralidade e diversidade é prepará-las para não serem intolerantes, não serem preconceituosas, para serem mais respeitosas com as diferenças, para serem mais humanas umas com as outras. 
 
O mundo seria um lugar melhor de se viver, acredito!
 
E como eu disse no título dessa coluna, “Sikêra ou se não queira”, nossas vidas e nossas existências precisam ser respeitadas, pois não estamos aqui para desgraçar nada nem ninguém, estamos aqui para lembrar que cada uma das pessoas que nascem nesse planeta são únicas, são individuais, são complexas, e podem se expressar, se identificar, viver como queiram, porque, afinal, somos seres livres para traçarmos nossas vidas como assim desejarmos para nos tornarmos quem sonhamos ser.
 
E espero que muita gente realize o sonho de SER o que desejou toda uma vida, com ou sem a aprovação de outrem e sem medo de nada nem de ninguém!