Kalina Paiva

11/11/2023 09h28

 

Belas, das lutas e do mundo literário

 

O povo potiguar tem muito do que se orgulhar quanto a produção literária de autoria feminina. Cada vez mais, as autoras têm alcançado um espaço que, por enquanto, ainda é dominado por homens: o mercado editorial. Digamos que não é uma logística fácil conciliar maternidade, trabalho doméstico, vida profissional e escrita. Mesmo assim, elas estão chegando lá.

Eva Potiguara, autora, produtora cultural, coordenadora do Mulherio Indígena, membro do Mulherio Nísia Floresta, está com duas obras semifinalistas do Prêmio Jabuti, o mais importante do País, existente desde 1958. Na categoria Fomento à Leitura, O Álbum Guerreiras das Ancestralidade, sob a sua organização com Vanessa Ratton, entrega à sociedade brasileira um mapeamento das escritoras indígenas contemporâneas de várias etnias, dando visibilidade ao trabalho delas. O Álbum pode ser baixado do site: https://www.santoandre.sp.gov.br/biblioteca/pesquisa/con_detalhe.asp?ID=160726&vHistoryNovo=sim

Também, na categoria Poesia, o seu livro solo Aby Ayala Membyra Nenhe´gara: cânticos de uma filha da terra “transforma desespero em esperança” e mostra ser “possível construirmos um mundo mais equânime”, segundo seu prefaciador Daniel Munduruku. Indígena e ativista pela causa, Eva Potiguara também milita pela causa ambiental, algo indissociável do pensamento daqueles que lutam por manter direitos e identidade.

Além dela, outra potiguar, dessa vez na categoria Arte, teve seu nome divulgado como semifinalista: Rejane Cardoso com A arte modernista de Erasmo Xavier, fruto de sua dedicação por 40 anos à pesquisa. A autora resgatou a obra e a trajetória de um dos maiores ilustradores do século XX em 400 páginas e mais de 400 imagens. Segundo ela, “Este é o livro da minha vida”. De fato, uma pesquisa de fôlego que retira de um território desconhecido esse natalense radicado no Rio que atuou como cenógrafo, ilustrador, caricaturista, fotógrafo, publicitário e articulista, deixando claro o pioneirismo deste na arte modernista do RN. Certamente, além de retirar um potiguar do esquecimento, sua maior contribuição é mudar a história da arte local e, consequentemente, do Brasil.

Mudando agora para a premiação da Academia Internacional de Poetrix, que acontece a cada dois anos, a escritora Gilvânia Machado, membro do Mulherio Nísia Floresta, arrematou o 1o lugar na categoria livro individual de poetrix em formato impresso com Flor de Algodão (2022); o 3o lugar na categoria livro individual exclusivamente de poetrix com Poetrix On the Rock´s (2023). O poetrix é uma poesia minimalista que encanta pelo potencial imagético com um grau de surpresa nos leitores que se permitem degustá-la.

Para fechar a coluna de hoje, a coordenadora do Mulherio Nísia Floresta, Rejane Souza, que recebeu em cerimônia ocorrida na noite de ontem (11) o prêmio de Poeta do ano em sua terra natal que carrega o nome do coletivo do qual está responsável, o qual faz referência à mulher que lutou pela educação brasileira, Nísia Floresta Brasileira Augusta. Esse justo reconhecimento vem para fechar uma semana de festa para as Letras potiguares, diante dos seus escritos, por tantos leitores formados, pelo seu legado e amor à literatura.

Quem disse que santo de casa não opera milagres?

*ESTE CONTEÚDO É INDEPENDENTE E A RESPONSABILIDADE É DO SEU AUTOR (A).
 


*ESTE CONTEÚDO É INDEPENDENTE E A RESPONSABILIDADE É DO SEU AUTOR (A).